October 29, 2025

Uma ideia assustadora



A ideia dos farmacêuticos desprescreverem os medicamentos receitados pelos médicos ou entender que o medicamento tem um custo muito alto e há outro mais barato e trocar a prescrição do médico... percebo que o chefe da ordem dos Farmacêuticos queira que os sócios tenham mais protagonismo, mas fazê-lo à custa da saúde das pessoas, é assustador. Um farmacêutico não é um médico, é um químico. É verdade que muitos doentes, nos dias de hoje, para não terem que ir ao hospital, fazem consultas na farmácia, mas o farmacêutico deve ter noção que isso não evidencia os seus conhecimentos de medicina, evidencia antes as dificuldades das pessoas irem a hospitais e terem consultas atempadamente.  O farmacêutico tanto pode trabalhar numa farmácia como em uma indústria de perfumaria. Os cortes na saúde do lado do interesse dos doentes para poupar dinheiro foram o que nos trouxe a esta situação em que está o SNS. Esta ideia é assustadora.


A sustentabilidade do SNS também se decide com farmacêuticos

Félix Carvalho - Presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Farmacêuticos

A despesa em saúde tem vindo a crescer todos os anos. Só o SNS representa mais de 16 mil milhões de euros anuais, grande parte dos quais é destinada a salários, medicamentos e serviços externos (...)

É neste ponto que o farmacêutico pode assumir um papel fundamental: é um profissional que compreende bem a fronteira entre a ciência e a economia, entre o medicamento e o sistema que o financia. No entanto, o seu contributo tem sido, historicamente, discreto. Num momento em que o SNS precisa de ser repensado, o farmacêutico pode, e deve, ser um dos protagonistas dessa transformação, contribuindo de forma decisiva para um sistema de saúde mais sustentável e eficiente.

Nos hospitais, o farmacêutico é o guardião da racionalidade terapêutica. Trabalha muitas vezes nos bastidores, mas o seu impacto reflete-se em cada decisão clínica (...)

Cada medicamento poupado, cada reação adversa prevenida, cada dia de internamento encurtado é uma vitória silenciosa. Uma vitória que raramente surge nas estatísticas, mas que mantém o SNS de pé. Importa também reconhecer o papel crescente do farmacêutico na desprescrição, um processo essencial para reduzir a polimedicação, melhorar a segurança dos doentes e diminuir custos associados a terapêuticas desnecessárias. Ao identificar e descontinuar medicamentos sem benefício comprovado ou potencialmente prejudiciais, o farmacêutico contribui para um uso mais racional e sustentável dos recursos em saúde.


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