Lula da Silva propôs a adoção do dia 2 de julho – tradicionalmente celebrado na Bahia como o dia da expulsão final das tropas portuguesas, em 1823 – como data oficial nacional, batizando-a como “Dia da Consolidação da Independência do Brasil”. A proposta, que irá tramitar ao Congresso e que precisa de ser aprovada pela Câmara e pelo Senado, seguida de sanção presidencial, não visa substituir a data oficial da Independência do Brasil (7 de setembro), mas pretende reposicionar a memória histórica brasileira num fluxo de acontecimentos históricos mais amplos e complexos que um mito fundador. É, portanto, um rearranjo político que precisa de ser visto de forma matizada, nas suas múltiplas dimensões políticas e simbólicas.
- João Ferreira Dias in independencia - Público
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A data importante a comemorar será a data da expulsão dos portugueses e não a data do grito do Ipiranga, porque quem dá o grito é um português, é um princípe, logo é dos ricos e ele não querem portugueses na data, sobretudo ricos. Ele quer dizer que foi o povo que fez o Brasil independente. Só que esse português príncipe foi quem ficou a reinar no Brasil e, se não fosse esse grito de independência, o Brasil teria tido uma guerra civil, onde uns lutariam pela independência e outros contra e sabe-se lá se seria um país ou vários à semelhança das Coreias e outros.
Eu não sou especialista em História mas do que me lembro, o Brasil enquanto este país que é, não existiria sem os portugueses. O que lá existia quando chegámos eram povos e tribos que ocupavam partes deste enorme território, com língua e costumes completamente diferentes, muitas vezes em guerra, e partes desocupadas.
Portanto, sem os portugueses que uniram todos numa única língua, que organizaram o enorme território em capitanias, que funcionavam em rede, com sedes de governo e governo central e, finalmente um herdeiro do trono português a validar o território como um único país independente, o que existiria hoje seria, muito provavelmente, uma manta de retalhos de países, como na América Latina, por exemplo, ou nos ballcãs, mas não este enorme país que é o Brasil.
Agora, se Lula e os brasileiros querem inventar uma história para se sentirem melhor, pois que mudem. Espero é que isso não leve a que aqui em Portugal se distorçam os factos ou que comecemos a ter narrativas infindáveis de culpa para agradar aos interesses políticos de Lula - que quanto a mim tem demasiado contacto com Putin e Xi - que são transitórios, como ele e nós todos.
Adiante. Eu olhos para o nosso país e vejo que não temos falta de identidade nacional, apesar de sermos pequeninos; não temos sequer uma data da fundação do país que comemoremos; temos uma história de resistir a invasões espanholas e de ter perdido a independência por 60 anos, com consequências desastrosas na nossa riqueza e poder. Porém, não andamos por aí a pedir aos espanhóis para nos pedirem desculpa a torto e a direito de tantos males que nos fizeram durante séculos ou a pedir que nos paguem indemnizações pelas perdas e danos sofridos.
Os povos africanos, percebe-se porque é uma situação ainda muito recente, mas o Brasil? Já lá vão séculos.
As únicas vezes que se alterou a nossa História de modo grosseiro por razões políticas foram às mãos de duas ditaduras: uma foi a de Salazar que inventou uma história de portugueses-heróis míticos e outra foi a ditadura do PREC, que inventou uma história de portugueses-demónios, da qual ainda não saímos completamente.
Lula está num processo desses. É lá com eles. O que gostava é que isso não reforçasse o hábito de passarmos o tempo a bater no peito pela colonização. Não falo de o fazermos nos locais apropriados, como o que se estuda nas escolas e em ocasiões específicas, mas o facto de o fazermos a propósito de tudo, desde inaugurar um supermercado ou içar a bandeira amarela nas praias. Era o que faltava que o fizéssemos para agradar a um sonso hipócrita e autoritário como Lula.
Também podemos ter duas: 5 de outubro de 1143 e 23 de maio de 1179. A implantação da República veio fazer esquecer o 5 de outubro original.
ReplyDeleteNós temos poucos feriados para os quase 900 anos de história que temos. A maioria são religiosos. E há datas que podíamos comemorar mesmo não fazendo delas feriados.
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