June 19, 2025

Se isto é uma solução...

 

A utilização das redes por menores tem suscitado debate na União Europeia, tendo em conta riscos que vão da desinformação ao assédio e à pornografia.


Usando da leveza da estrutura inglesa, talvez “cérebro derretido” ou “queimar neurónios” traduzam melhor o que está em causa: o impacto dos estímulos contínuos e da degradação de conteúdos das redes sociais, com crescente passividade dos utilizadores e redução do sentido crítico.

O debate sobre a eficácia da proibição é legítimo e não há evidências da aplicabilidade de legislação nesse sentido. A questão de fundo é que a relação com a tecnologia exige medidas transversais, mais sociais do que jurídicas. Espanha, por exemplo, percebeu-o bem com o mais recente pacote legislativo em debate, multidisciplinar e que inclui verificação médica obrigatória de sintomas de dependência.

O que está em causa é uma nova forma de vida que afeta o conhecimento e a comunicação, o uso do tempo e, voltamos ao princípio, o uso (ou falta dele) do cérebro. No fundo, estamos em mergulho assustador para um estado de letargia em que deixamos que os algoritmos e a inteligência artificial decidam tudo por nós. Participamos na queda, mas somos incapazes de um gesto para a travar.


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Sabemos que faz muito mal em todos os sentidos do desenvolvimento mas deixa andar. Espanha percebeu que o melhor é deixar que as crianças e jovens se viciem e depois mandá-las a um médico confirmar a dependência...

Gostava que se substituisse o termo tecnologia por outros que também causam dependência e prejuízos, naquela frase destacada, para se perceber a falta de sentido desta medida de, 'depois da casa roubada trancas as portas', lembrando que estamos a falar, não de adultos, mas de crianças e adolescentes.

Substitua-se o termo tecnologia por: álcool, tabaco, prostituição, cocaína, heroína, agressão, radicalização, violência, bullying, «incelização». 

Uma coisa é dizer que não basta proibir, são precisas outras medidas, outra é dizer, 'não se proiba' as crianças de se viciarem em violência e pornografia ou em "matar os seus neurónios" porque proibir é sempre mau.

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