Já nem sei há quanto tempo falo disto. O que vale aos professores novos é haver sempre professores mais velhos que se oferecem para ajudar, mas essa é uma situação assistemática. Se esses professores novos calham a ser pessoas mais introvertidas ou tímidas, não dizem nada e nem sabemos que precisam de ajuda. Alguns não gostam de o dizer porque, sendo contratados a prazo, receiam que isso os prejudique na avaliação.
Assim como existe o coordenador dos DTs a quem os professores novos que são DTs podem recorrer, também devia haver um orientador dos professores novos, a quem pudessem recorrer. Um professor com experiência e reconhecidamente capaz. Ou, em alternativa, o professor delegado do grupo disciplinar desse professor novo teria essa obrigação. Claro que isto implica horas do crédito de escola e o ME nunca quer reconhecer que o trabalho de professor tem uma grande parte não lectiva que requer tempo apropriado e espera sempre que os professores façam tudo e um par de botas no mesmo tempo não lectivo. Até o trabalho lectivo, como leccionar aulas de apoio, quer que seja feito como sendo não lectivo, para não ter que o pagar.
A questão do comportamento é diferente porque não afecta mais os professores mais novos. Claro que há muita coisa que se lhes pode dizer e ensinar para que evitem certas situações que costumam precipitar maus comportamentos, mas há professores novos que não têm problemas de comportamento por parte dos alunos (há vezes têm é por parte dos pais) e há outros que desde que os conhecemos há 30 anos, continuam a ter sempre os problemas de mau comportamento das turmas. Isso tem mais que ver com o tipo de pessoa.
Na questão do comportamento das turmas o DT é a peça fundamental. Há turmas que podiam ter bom comportamento mas não têm porque o DT tem medo dos pais ou tem medo dos alunos ou segue as pedagogias de entender todos os alunos como coitados da vida, vítimas de terem nascido e não apoia os colegas que têm alunos com mau comportamento nem resolve os problemas que surgem, sejam de bullying, de provocação, de absentismo, de crónica falta de pontualidade, roubos, etc. Finge que está tudo bem. Nos dias que correm ninguém quer ser DT por causa dos pais que, em imensos casos, se tornaram um grande obstáculo ao bom funcionamento das turmas. Se me pusesse aqui a contar situações surtais com EE nem acreditavam.
Outra peça fundamental no que respeita aos comportamentos dos alunos em sala de aula é a direcção. Há direcções que trabalham com os seus professores e os apoiam nesta questão cada vez mais importante e há direcções que trabalham contra os seus professores para agradar (ou por medo) aos pais ou do ME. Acima de tudo querem ser populares e não ter chatices, porque hoje em dia imensos pais não têm o mínimo respeito pelos professores e não assumem nenhuma responsabilidade pelos filhos e passam o tempo a queixar-se às direcções (e a queixar-se das direcção ao ME) porque acham que são quem paga a escola pública (como se os professores não a pagassem também com os seus impostos...) e esperam que os professores sejam professores-alfaiate. É o que lhes dizem as luminárias dos pseudo-estudos e das novas-pedagogias dos ignorantes encartados que defendem a autoridade dos alunos e dos pais sobre os professores.
A minha escola tem uma equipa a quem se recorre quando há problemas disciplinares que impliquem instaurar processos (estão por dentro da legislação, ouvem os interessados, as testemunhas, etc.) e uma outra equipa, o GOD (gabinete de orientação disciplinar) a quem se enviam os alunos com problemas de comportamento pouco graves mas frequentes e perturbadores da aprendizagem - esta serve mais como aconselhamento e orientação. Sim, os alunos que se portam mal vão ao GOD 🙂
Mas sim, estou de acordo que falta às escolas estruturas que apoiem sistematicamente os professores novos, para que possam iniciar a carreira com confiança e eficácia e não fujam da profissão a sete pés.
Público
Oito em cada dez docentes inquiridos num estudo não conhecem nenhum programa de integração de novos professores nas escolas. Isso “não ajuda a reter estes profissionais” — uma necessidade urgente.
"O facto de não haver integração destes professores, além de dificultar o processo de aprendizagem dos alunos, é algo que não ajuda a reter estes profissionais.
Os dados preliminares permitem ainda perceber quais são as maiores dificuldades que os professores sentem com os seus alunos: metade reporta conhecer casos de alunos com problemas de absentismo grandes e um em cada três professores dizem conhecer casos de violência entre alunos. “Este dado vai um bocadinho em linha com aquilo que eu acho que é sempre importante dizer: os professores em sala de aula não conseguem fazer tudo.
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