May 30, 2025

As Mulheres de Amphissa, de Lawrence Alma-Tadema




As Mulheres de Anfissa, de Lawrence Alma-Tadema, 1887

Um retrato da caridade e da proteção, tendo como pano de fundo a antiguidade clássica e o tema universal da violência da guerra e das suas eternas vítimas. A obra capta um momento pungente inspirado num acontecimento histórico registado pelo historiador grego Plutarco.

A pintura ilustra uma cena da Grécia antiga durante a Terceira Guerra Sagrada, quando os de Anfissa declararam guerra aos fócios por estes terem tomado o santuário de Delfos. Um grupo de mulheres, seguidoras
de Dionysus (o deus do vinho, da fertilidade, do excesso, da embriaguez pela vida), entrou, sem se dar conta, na cidade de Amfissa depois de uma noite de dança ritual. Exaustas e ainda sob o efeito das drogas, deixaram-se cair no chão de pedra do mercado.

Apesar do conflito existente entre a sua cidade natal, Fócida e Anfissa, as mulheres de Anfissa correram a proteger as ménades (uns séculos mais tarde conhecidas como Bacantes) que podemos ver exaustas, deitadas no chão de pedra, ainda com as flores nos cabelos, a hera, os bassaris (as peles) e os instrumentos que acompanham a dança. As mulheres de Anfissa deram-lhes comida e abrigo, garantindo a sua segurança contra as, muito prováveis, acções de violência e violação dos soldados.

A pintura está repleta de elementos intrincados, desde os penteados e o vestuário das mulheres até às flores e aos pormenores arquitectónicos. A utilização de vários tons de branco simboliza a paz e a pureza, reflectindo as acções benevolentes das mulheres de Anfissa. A justaposição das mulheres fortes e protectoras com a arquitetura robusta do mercado realça o seu papel de guardiãs.

The Women of Amphissa destaca-se como uma obra que enfatiza temas de proteção e caridade, oferecendo uma lição de moral ao público vitoriano. 

A pintura também mostra a habilidade de Alma-Tadema em tornar o mundo clássico acessível e relacionável aos seus contemporâneos. 

Esta peça ganhou a Medalha de Ouro de Honra na Exposição Universal de Paris em 1889, marcando-a como um feito célebre na sua carreira e pode ser vista no Clark Art Institute em Williamstown, Massachusetts. 

(after Histórias por detrás da arte)




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