February 16, 2024

Programas eleitorais para a educação - Livre

 

Sou tão contra tantas propostas do Programa do Livre para a educação (sou a favor de algumas) que este post vai estar construção e aberto e não é hoje que o ponho aqui porque o Programa deles tem uma série conteúdos diferentes dos outros e alguns parecem-me mesmo nocivos, em geral e em particular, para a educação em geral.

O programa do Livre decalca a cartilha do actual ME: infantilização do ensino; secundarização do conhecimento sistematizado e complexo; gamificação e ludificação do conhecimento (Deus nos livre de os alunos perceberem que estão a trabalhar e que o sucesso implica esforço, trabalho e disciplina motivacional) endeusação das tecnologias digitais, confusão entre tecnologias enquanto ferramentas e tecnologias como fins; inutilidade dos exames; alunos que escolhem o que aprender e como ser avaliados, como se crianças e adolescentes tivessem conhecimentos de pedagogia e didáctica para poderem ajuizar nesse campo... 

Tem mesmo sugestões a raiar o absurdo como por exemplo, contratar sociólogos com mestrado para lecionar a disciplina de Cidadania... uma disciplina que serve para nada a não ser para roubar horas a outras disciplinas. Tudo o que lá se fala é abordado em várias disciplinas por professores que têm formação na área, de maneira que querer elevá-la a uma espécie de disciplina Star é o absurdo total. E a que propósito a disciplina teria de ser leccionada por sociólogos...? Porque os sociólogos são quem tem formação especializada para abordar temas como, direitos humanos, axiologia e ética, questões ambientais, civismo político?

Depois, tem aquela ideia peregrina que já vem do anterior programa e que consiste em fazer os alunos do secundário passar pela universidade na esperança que aprendam alguma coisa por osmose e com o intuito de qualquer aluno poder inscrever no seu certificado, 'frequentou a universidade'. Isto advém, penso, daquela ideia segundo a qual, quando mais formação têm as pessoas de um país, mais este se desenvolve. Conheço muitas pessoas que defendem que não interessa que os alunos não aprendam um boi no secundário, desde que o frequentem e possam dizer que o têm porque isso contribui para o desenvolvimento do país na medida em que melhora a auto-imagem. Uma auto-imagem construída num embuste não desenvolve nada nem ninguém... como se vê pela quantidade de políticos que não estudaram e depois passam por universidades onde os amigos do partido lhes dão certificados e títulos.

Enfim, é mau mesmo.

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