October 23, 2022

Uma palavra e uma analogia - célula




Célula - Esse vocábulo veio por via culta, mais precisamente pela linguagem da ciência, do latim cellula, diminutivo de cella, que quer dizer “cela”, lugar pequeno em que se oculta alguma coisa, pequeno esconderijo, e também despensa ou celeiro (note que este último termo deriva de cela). A cella latina também era o local recluso em que os monges dormiam – e, mais recentemente, cela passou também a significar o recinto em que ficam presos os detentos. (Aldo Bizzocchi)

As células humanas são pequenos 'esconderijos' limitados por uma membrana onde se 'escondem' e organizam os habitantes daquele recinto. As células tanto morrem por algo que as implode por dentro (o que se vê neste vídeo) como por algo que as ataca de fora, mas em ambos os casos o que as destrói é o rompimento da membrana que as mantinha íntegras, organizadas e seguras dentro do seu recinto.


 

As células, apesar de serem recintos fechados, mantêm trocas com o exterior, são permeáveis. Os países, em certo sentido, são como células: recintos com fronteira definida, organização e integridade próprias, mas permeáveis ao contexto maior que as envolve, com outros, em universos comuns. Quando as células|países se tornam impermeáveis, por medo da mudança, o seu interior decai, como uma ilha completamente isolada do resto do mundo, parada, a envelhecer em círculos repetitivos sem evolução. Como a célula deste vídeo, a certa altura rasga-se por dentro e, embora durante um certo tempo continue a haver actividade aparente e vida dentro do recinto que é a célula, é já só um simulacro à espera da desintegração final. Isso é o que se vê nesta conversa entre dois russos: círculos repetitivos de inflamação insana, sem evolução. 


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