September 30, 2021

Tanta coisa está mal nas escolas...

 


O que custa é saber que eram evitáveis e muitos de nós, professores, gritámos alto e bom som durante anos acerca de tudo o que era evidente, ia resultar mal. Não serviu de nada. Uma das coisas que está mal é a falta de professores jovens nas escolas. Hoje estava com uns colegas na sala de profs e estávamos a ver quem eram os professores novos. Reparámos que sendo novos na escola, não são nada novos, já têm quarenta e muitos anos. E estávamos a comentar a diferença que faz ter deixado de haver professores jovens nas escolas. Durante muitos anos havia nas escolas uma mistura de professores de várias idades que se reflectia na dinâmica dos concelhos de turma, que beneficiava os alunos. Por muito que nós, mais velhos, tenhamos entusiasmo e empenho, já não temos a dinâmica energética de quando éramos mais novos. Os conselhos de turma tinham professores jovens, sempre cheios de vontade de fazer mudanças e que se metiam em projectos e depois tinham alguns mais velhos cuja experiência ajudava muito ao crescimento das turmas e ao treino académico. Durante muitos anos, tinha sempre imensos projectos na escola. É certo que também deixei de ter certo tipo de projectos que dão nas vistas, porque duas ou três pessoas da escola que não suportam (nem me suportam) ninguém que lhes faça sombra, mas têm cargos, começaram a sabotar tudo. Houve até quem roubasse os projectos e depois transformasse em coisas medíocres... mas enfim, isso agora não vem ao caso... a verdade é que agora já não teria a mesma capacidade de me meter a fazer uma série de coisas que fiz porque é necessária muita energia, própria da juventude. Acho que os alunos precisam de uma mistura de professores experientes, mas também professores jovens, com outras ideias, de renovação. Esta mesmidade não é boa para os alunos.


2 comments:

  1. Indisciplina e violência...

    Hoje, à entrada para o segundo bloco da manhã, vinha eu da reprografia quando dois miúdos (um de etnia cigana e outro caucasiano, entre os 13 e os 15 anos) desataram ao sopapp.

    O átrio do bloco comportava mais de uma vintena de pessoas, incluindo a minha, uma funcionária e uma professora. Ninguém mexeu um músculo para parar a luta. Mais tarde, a funcionária disse-me que se tinha intrometido numa cena semelhante no ano passado, tendo levado uns encontrões e umas cacetadas que, entre outras coisas, lhe partiram os óculos. Aprendeu a lição e deixou-se ficar. Alguém que se intrometesse acabava por apanhar inevitavelmente.

    Aproveitando um momento em que se separaram um par de metros, um aluno do secundário segurou um dos combatentes e eu interpus-me, colocando o antebraço no peito do aluno de etnia. O coração dele batia a um ritmo louco. Disse-lhe umas palavras quaisquer para o acalmar, e, quando o olhei nos olhos, ele tinha um olhar na minha direção aterrador. Se há olhares que matam, de psicopatas tresloucados, certamente terão a ver com aquilo. É impossível descrever por palavras o que vi; só vivendo a experiência.

    Daí a uma hora, estava o rapaz na minha aula, numa turma pequena mas complicada. Quando lhe perguntei o que se tinha passado, respondeu-me, de forma agressiva, que «tinha chamado uns nomes» ao colega e que este tinha reagido.

    As escolas deveriam ser comunidades em que todos funcionam comum um bloco, um só, com as direções na linha da frente. Infelizmente, é cada um por si. Os diretores e afins enfiam-se no curral e de lá não saem. Quando os problemas acontecem, culpam os professores, os DT e os respetivos conselhos de turma, além de vomitarem a sua sapiência e o modo como, com eles, nenhum aluno se comportaria «mal».

    Esta trampa está toda mal e não há ninguém que ponha cobro a nada. É a realidade que vivo diariamente, 5 vezes por semana. Eu e os meus colegas não ensinamos, sobrevivemos.

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  2. Não tenho essa experiência, felizmente, mas dou-me com muitos colegas que a têm: 11 turmas, por exemplo - que raio de trabalho se pode fazer com 11 turmas? Este ano está lá uma colega que veio de uma escola Teip. As coisas que ela conta não dá para acreditar. Mas é verdade isso que se fez de se por directores contra professores e as escolas seres lugares de profunda desunião.

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