Sanções imediatas, como as defendidas por dirigentes europeus e dos EUA: nenhum avião voar no espaço aéreo bielo-russo e isolar o presidente; sanções a médio prazo. Estas têm que ser onde dói mais e faz mais mossa.
Os regimes dos ditadores são sustidos da mesma maneira que o Império Romano o era a partir do momento em que se tornou uma ditadura: César rodeava-se de tropas a quem pagava bem e de homens ricos e influentes que o protegiam a troco de grandes benesses de territórios e negócios. Quando essas pessoas deixavam de ser pagas ou deixavam de ter a proteção do Imperador para aumentar a riqueza, mudavam logo a sua lealdade para outro que lhes alimentasse as ambições ou, nas tropas, escolhiam um Imperador de entre eles e derrubavam o que lá estava para irem directamente à fonte [aka... 25 de Abril]. Portanto, onde dói mais a Lukashenko ou a Putin é perderem os suportes do regime: os grandes milionários/bilionários que vivem à sombra da sua proteção e, em contrapartida, os sustêm. O remédio é tornar inútil e até perigosa, a lealdade ao ditador: por exemplo, congelar todas as contas, bens e negócios que essa gente toda tem fora do país. Fechar completamente a torneira do exterior. Deixá-los secar. Entram em pânico.
O 'sequestro' bielorusso é um teste para a comunidade internacional
'Pirataria aérea' é apenas o último acto da brutal campanha de Alexander Lukashenko contra os seus opositores.
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É contra este pano de fundo escuro e repressivo que os extraordinários acontecimentos de domingo tiveram lugar. De acordo com os media estatais, Lukashenko autorizou pessoalmente a aterragem forçada de um avião da Ryanair ao sobrevoar o espaço aéreo bielorusso entre a Grécia e a Lituânia - um sequestro em tempo real. Até enviou um avião de caça MIG-29 para garantir que o piloto cumpriu a sua missão após ter sido informado de uma ameaça de bomba, falsa.
A fúria de Lukashenko era um blogueiro e opositor de 26 anos de idade, Roman Protasevich. Protasevich é o co-fundador do Nexta. Desde as eleições presidenciais de Agosto passado, amplamente vistas como fraudulentas, tem relatado e coordenado manifestações contra o regime bielorrusso. Tal como outros críticos, ele tinha deixado a Bielorrússia para o exílio. Deve ter pensado estar em segurança na UE.Protasevich foi preso quando o avião aterrou em Minsk. A sua namorada russa que estava com ele, Sofia Sapega, também foi detida. O seu paradeiro é desconhecido. O incidente chocante provocou uma condenação e um horror generalizados a nível internacional. Na segunda-feira, o chefe executivo da Ryanair, Michael O'Leary, chamou-lhe "pirataria aérea". Os ministros dos Negócios Estrangeiros apelidaram-na de "rapto em voo", "terrorismo de estado" flagrante e pura artimanha.
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