Li há bocado num jornal que os líderes muçulmanos guineenses estão revoltados pela mera possibilidade de o parlamento local aprovar uma lei que impeça, doravante, a mutilação das mulheres. Consideram uma grande afronta ao Islão sagrado não poder continuar a mutilar mulheres. No ano passado, só em Bissau, foram mutiladas mais de quatro mil raparigas para agradar à religião muçulmana.
Isto diz muito sobre a religião. Metade do planeta anda em guerra, milhões de crianças morrem à fome, outras raptadas e vendidas como escravas; o planeta em risco por causa da degradação ambiental que mata e deixa na pobreza milhões por esse mundo fora. Por todo o lado a exploração do homem pelo homem. E, a crer nos líderes muçulmanos, Deus está preocupado é com o facto de os homens não poderem continuar a ordenar a mutilação das mulheres.
Que uma religião possa ter como ideal a mutilação de outros seres humanos mostra bem que o objectivo de muitas religiões não é a salvação da alma, não é a prática do bem, não é a difusão da paz e da tolerância mas apenas e somente a ganância do poder sobre os seus semelhantes; neste caso o gáudio de condenar mulheres à submissão por via da mutilação.
É claro que todos estes senhores assinaram ou assinariam a declaração universal dos direitos do Homem. Mas levam a coisa tão à letra que excluem as mulheres da humanidade.
As religiões, em geral, parecem não ser mais que clubes de [não]cavalheiros onde as mulheres são bem-vindas apenas para tratar daqueles assuntos como arranjar as flores e fazer bolos para as festas.
Quem são estas pessoas que se dão a si próprias o poder de decidir que alguém pode ser mutilado? E como é que os governos as ouvem? Porque é que não são procuradas pela justiça mundial com mandado de captura? O que é que as leva a pensar que estão à parte dos seres humanos de tal modo que não precisam de se comportar como seres humanos? Desde quando é que ser carrasco é bom para o mundo, para a paz ou para outra coisa qualquer?
Porque é que as mulheres todas não abandonam, pura e simplesmente, uma religião que ignora os seus interesses, os seus anseios, os seus direitos, e que tem como objectivo «sagrado» mutilá-las?
Se existe mesmo um Deus, espero que toda esta horda de carrascos mutiladores e hipócritas venha a ter o castigo que merece.
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