Fui ouvir a 5ª de Mahler. É uma sinfonia que não faz sentido como um todo. A primeira parte faz sentido sozinha, quer dizer os dois primeiros movimentos tempestuosos e caóticos da oração fúnebre. Fazem-me lembrar Béla Bartók. A segunda parte não faz sentido nenhum. Tanto tem drama e trompas ruidosas e violência como de repente estamos a ouvir uma valsinha. Parece uma mante de retalhos sem nexo. Depois vem o famoso Adagietto, aquela coisa wagneriana, lenta, como se o tempo tivesse parado, pungente e arrebatadora com píncaros poéticos de cordas e harpa que comove até às lágrimas, sobretudo se é tocada com extrema sensibilidade (o que foi). Como é que se sai daquele lugar etéreo para outra coisa qualquer? O que pode vir a seguir àquilo? Mas Mahler sai dali para o último movimento. Nesta sinfonia gosto da primeira parte e gosto do Adagietto, mas na minha cabeça são coisas separadas.
Enfim, a seguir fomos jantar a um restaurante ucraniano ali perto, muito simpático.
.
Houve quem preferisse a Frigideira Lviv
No fim dividimos este bolo chamado Spartak pelos quatro.
Foi bom. Pessoas simpáticas e atenciosas. Comida boa.
Depois à volta apanhei um acidente na ponte com três carros enfaixados uns nos outros e cheguei tardíssimo.



