Limita-se ao é proibido proibir. Pois, todos sabemos que a IA está aí e existe, mas dizer que deve ser usada desde que «com ética», dá vontade de rir, porque equivale a dizer aos estudantes, 'sejam honestos' e esperar que o sejam, quando sabemos que não o são. Nem os professores o são.
A solução deste senhor que trabalha na área da IA é fazer dos professores polícias e especialistas em detectar cabuladores. Mas ser professor não é isso de andar a fazer avaliações, não para perceber o que o aluno progrediu e domina mas para detectar se andou a cabular.
E ensinar a desconfiar e a confirmar fontes digitais já nós fazemos nas escolas, mas o problema é que os alunos não querem saber de fontes credíveis, querem é saber de uma aplicação que lhes faz os trabalhos e consegue as notas e os certificados.
Eu também não sou a favor da proibição no ensino superior mas sei que é um problema sério no que respeita à credibilidade epistémica da própria universidade e que é preciso pensar seriamente onde é útil a IA ser usada com mérito e onde o seu uso é um demérito.-----------
O ponto não é moralizar estudantes, é olhar para os incentivos e para o desenho da avaliação. Se um aluno consegue fazer um trabalho inteiro copiando respostas de um modelo de linguagem, o problema não é a IA, é o desenho da avaliação. Se fosse possível um estudante terminar uma licenciatura a papaguear textos que não percebe, a pergunta séria não seria “o que é que a IA está a fazer à universidade”, mas “que universidade construímos para que isso fosse possível?”
Proibir é o gesto mais fácil.
O desafio não é afastar a IA, é ensinar a usá-la. Ensinar a desconfiar das respostas, a comparar com fontes, a explicitar o que foi feito pela máquina e o que foi feito pela pessoa. Usar a IA como espelho devolutivo do pensamento: pedir ao estudante que mostre o prompt, critique o output, reescreva, explique por escrito onde concorda, onde discorda e porquê. Se quisermos, a IA pode ser um laboratório de pensamento crítico. Se a proibirmos, será apenas mais uma fonte de atalho silencioso.