Numa ida a uma livraria, ao folhear um livro chamado Mulheres que pensam demais, deparei-me com uma página que me fez parar: as notas. Pensei sobre o que estamos a fazer aos nossos alunos quando lhes dizemos, todos os dias, que o seu valor está reduzido a um 12, a um 15, ou a um 18. Como é possível medir a aprendizagem com uma régua tão curta? Como medir o esforço silencioso de quem acorda todos os dias com medo de não ser suficiente? Ou a persistência de quem luta contra obstáculos invisíveis?Ensina-se para o teste, aprende-se para o teste, vive-se para o teste.
Há alunos que brilham em mil outras coisas: na oralidade, na expressão artística, na solidariedade, na persistência diária. Mas o sistema raramente os vê.
os por Direitos de Autor ao abrigo da legislação portuguesa, conforme os Termos e Condições.
Ana Rita Bonança in publico
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Só na cabeça desta senhora os professores dizem aos alunos que o seu valor enquanto pessoas é o da nota que classifica o seu estudo e trabalho consequente - ou a falta dele. É disto que também falava no vídeo do post anterior. Todos os dias os ignorantes que escrevem nos jornais vêem dizer mal de professores e da escola, sem perceberem um boi do que falam, a repetir generalidades ocas, só porque é fácil escrever frases fofinhas e querem likes do público que os lê. Repetem slogans e generalidades que soam bem, pois quem é contra a humanização da escola? Dá vontade de mandar esta fulana e todos os outros que vêem para os jornais arengar 'bavardamente' contra nós, pentear macacos.