Dando voz ao PSD, a deputada Andreia Neto garantiu que o projeto-lei do partido não pretendia criar "obstáculos". “Trata-se, sim, de garantir que decisões com impacto permanente são tomadas com o devido enquadramento, protegendo as próprias pessoas e assegurando a credibilidade do sistema jurídico”, explicou. Já o CDS afirmou que “o atual sistema que permite terapias hormonais para o bloqueio hormonal da puberdade é uma das maiores violências contra as crianças praticadas atualmente em Portugal”.Durante a sessão plenária, a deputada Isabel Moreira, do PS, apelou ao voto contra os projetos, especialmente dos deputados do PSD, ainda que o partido tenha imposto disciplina de voto nesta matéria. “A culpa dos problemas complexos da maioria passa a ter rostos inventados, mas identificáveis. São negros, são imigrantes, são mulheres, são transexuais. Camada por camada, a democracia vai sendo corroída”, apontou.A Iniciativa Liberal também se juntou aos partidos de esquerda. "Não deixa de ser irónico, e até revelador, que os partidos que usam o conceito da família como núcleo da sua filosofia política chamem agora o Estado para estar nas casas, nos hospitais, na vida dos jovens menores, apoiados pelas suas famílias e com o acompanhamento por um dos profissionais mais qualificados nesta área", defendeu a deputada Marta Patrícia Silva.
-------------------
Penso que o governo agiu bem. As mudanças de características do fenótipo sexual através de cirurgias e terapias hormonais que impactam a totalidade da vida da pessoa antes da maioridade é uma violência quase sempre extrema.
Ninguém explica a esses adolescentes influenciáveis (e muito menos a crianças) que vão ter uma vida de velhos desde logo: problemas médicos crónicos, incapacitantes, desde incontinência urinária, dores permanentes, infertilidade, impossibilidade de satisfação sexual, doenças resultantes da supressão de hormonas ou da castração, ou da ablação das mamas, etc. Para não falar dos casos em que os pais induzem os filhos, juntamente com médicos sem ética profissional, a modificar permanentemente o corpo de crianças, com 10 ou 11 anos.
Os pais são guardiões dos filhos, mas não podem ter poder de vida e de morte sobre eles como se eles fossem sua propriedade e, assim como para votar é necessário atingir uma certa idade em que as pessoas já têm consciência das consequências das suas decisões, por maioria de razão, tomar decisões que impactam o resto da vida tão drasticamente deve ser um decisão tomada na maioridade.
Isabel Moreira não tem nenhum argumento contra a lei e limita-se à demagogia de dizer que o governo está contra todos e a pôr este caso no mesmo saco que o racismo. É uma enorme pobreza intelectual e falta ética intelectual. Dá ideia de que nem percebe a questão e está apenas a mostrar lealdade à ideologia de que é crente dogmática.
Quanto à IL invocar os pais como decisores dos filhos, pois uma coisa é decidirem que vai para esta ou aquela escola outra diferente é decidirem que o filho fica sem um braço ou sem uma perna para o resto da vida. É um abuso. E o argumento que usa da questão ser complexa joga contra si, pois é justamente por a questão ser complexa que não se deve abusar da menoridade das crianças e adolescentes para lhes impor uma vida cujas consequências ainda não entendem.
Ademais, só mesmo quem nunca deu aulas e lidou diariamente com encarregados de educação é que pode pensar que os pais têm sempre o interesse dos filhos em mente, ou que são pessoas de bom senso, para não falar daqueles pais que são mais influenciáveis que os filhos por qualquer coisa que um influenciador qualquer diga.
Portanto, quando as pessoas chegarem à maioridade, então se querem tomar essa decisão façam-no livremente mas sabendo que a sociedade não foi cúmplice do seu eventual prejuízo por decisões vicariantes. É uma traição que se faz às crianças e adolescentes não cuidar de que tenham condições para decidir em liberdade e não há acção livre sem consciência.
E também estou de acordo que um adulto tenha que apresentar um documento que ateste que de facto tem uma incompatibilidade psicológica com o seu sexo biológico, justamente para evitar que qualquer homem biológico vá ao registo mudar de nome e de sexo para poder entrar nos espaços das mulheres ou nos desportos, ou nas cadeias. Estes casos são às dezenas de milhar, de tal modo que já afectam as estatísticas do crime, por exemplo.
Uma pessoa qualquer para ter direito a qualquer benefício tem de apresentar carradas de documentos a provar o que afirma, seja uma doença, seja uma condição qualquer. A que propósito alguém vai ao registo e diz, 'agora sou uma mulher e quero ter direito a condicionar os direitos das mulheres'.
Vejamos uma coisa simples: quando alguém quer 'mudar de sexo', como dizem, só tem duas opções possíveis: ou mulher ou homem. Não tem três opções de sexo, são só duas.
E se é um homem biológico e diz que quer ser uma mulher o que lhe fazem é implantar artificialmente caracteres fenótipos sexuais das mulheres e se é mulher e diz que quer ser homem implantam-lhe caracteres fenótipos sexuais de homens. E isso diz muito do que pensam sobre o outro sexo: para os homens biológicos uma mulher reduz-se a uma vagina e mamas e roupas de mulher. E para as mulheres biológicas um homem reduz-se um pénis com roupas de homem.