Fui vê-la. Uma entrevista cobarde a pôr no mesmo plano de credibilidade e de moralidade, a Ucrânia e a Rússia.
O adido russo fala na culpa da Ucrânia, na escalada da Ucrânia, diz que a "crise" começou em 2014 e é da responsabilidade dos ucranianos. Nunca nem uma única vez, o entrevistador diz o termo guerra, não contraria nada do que ele diz, não lhe pergunta porque é que a Rússia invadiu a Ucrânia. Chama à narrativa russa, "uma perspectiva".
Durante mais de 15 minutos deixou o russo despejar a sua propaganda e mentiras sem incómodos. Em suma: deu-lhe palco.
A CNN sabe que a Rússia está em guerra, não apenas com a Ucrânia mas com a Europa também (o russo disse claramente que Portugal é um inimigo hostil), de maneira que sabe este indivíduo que convidou é um inimigo de guerra, não um diplomata com outra perspectiva.
Portanto, em meu entender, esta entrevista é um favor que a CNN fez à Rússia e à máquina de guerra russa. Ainda a percebia se o entrevistador tivesse tido a coragem de confrontar e desmacarar a narrativa russa, mas não, foi uma ovelhinha dócil.
Numa guerra em que estamos incluídos, escolhe-se um lado (o do Direito Internacional e da justiça) e não se compactua, um milímetro, com o lado inimigo, com argumentos de interesse jornalístico ou neutralidade. Quem era pseudo-neutral era Salazar e com o argumento da diplomacia neutral, quando Hitler morreu, enviou um diplomata à embaixada alemã prestar homenagem e condolências pela morte dele.