Adalberto Campos Fernandes in DN
O fracasso do Estado em responder às necessidades dos cidadãos resulta, em grande medida, de fragilidades estruturais antigas e persistentes, e não apenas de circunstâncias pontuais ou de lideranças inadequadas. Este problema sistémico mina a confiança da sociedade e afasta o Estado do seu papel essencial de promover o interesse público e o bem comum.
Muitas das políticas públicas continuam a ser concebidas sem considerar o quotidiano dos cidadãos. Elaboradas em ambientes fechados estas políticas perseguem objetivos distantes das necessidades reais das pessoas revelando-se, em muitas situações, ineficazes face aos desafios do dia a dia. Em situações de crise a resposta do Estado é muitas vezes tardia, ineficaz e desigual reduzindo o cidadão a um mero número, em vez de tratá-lo como indivíduo.
A falta de responsabilização agrava ainda mais a situação. Erros graves em domínios como a saúde, a educação, a justiça e a segurança coletiva têm impactos profundos na vida das pessoas.
No entanto, raramente acarretam consequências para os decisores. Isso reforça a perceção de que existem dois Estados: um tolerante com quem governa e outro rigoroso com os governados. Os cidadãos veem-se obrigados a cumprir, pagar e esperar. O Estado pode prometer, adiar e falhar sem consequências significativas.
Os interesses particulares também contribuem para este cenário. Decisões públicas moldadas por pressões económicas, motivações eleitorais ou lealdades partidárias deixam o interesse coletivo em segundo plano acabando o Estado por proteger privilégios, perpetuar desigualdades, desiludindo quem mais depende dele. Apesar de produzir muitas leis o Estado raramente escuta os cidadãos. A participação cívica é muitas vezes meramente formal e sem impacto real nas decisões. Esta carência de diálogo agrava a desconfiança e leva muitos a desistirem de participar.
As fragilidades tornam-se ainda mais visíveis na preparação e na prevenção de crises. O Estado tende a reagir apenas quando os problemas já se agravaram. Nessa altura, os custos para a sociedade são elevados. Mais do que uma questão de falta de recursos, tal reflete uma cultura política que privilegia as soluções rápidas e visíveis. Estas são escolhidas em detrimento de estratégias de longo prazo, que raramente geram reconhecimento imediato.
Os interesses particulares também contribuem para este cenário. Decisões públicas moldadas por pressões económicas, motivações eleitorais ou lealdades partidárias deixam o interesse coletivo em segundo plano acabando o Estado por proteger privilégios, perpetuar desigualdades, desiludindo quem mais depende dele. Apesar de produzir muitas leis o Estado raramente escuta os cidadãos. A participação cívica é muitas vezes meramente formal e sem impacto real nas decisões. Esta carência de diálogo agrava a desconfiança e leva muitos a desistirem de participar.
As fragilidades tornam-se ainda mais visíveis na preparação e na prevenção de crises. O Estado tende a reagir apenas quando os problemas já se agravaram. Nessa altura, os custos para a sociedade são elevados. Mais do que uma questão de falta de recursos, tal reflete uma cultura política que privilegia as soluções rápidas e visíveis. Estas são escolhidas em detrimento de estratégias de longo prazo, que raramente geram reconhecimento imediato.
A necessidade de planeamento contínuo, de memória institucional e de capacidade de lidar com a incerteza é muitas vezes ignorada. Isto ocorre devido à rotatividade de lideranças, às falhas de articulação institucional e aos conflitos de atribuições e competências. Desta forma, planos tecnicamente sólidos acabam na maior parte das vezes por ser abandonados.