Tiago Antunes e a “maldição Sócrates”-----------
Se nem Tiago Antunes passa, esqueçam todos os que trabalharam no Governo de Sócrates. A “maldição Sócrates” é eterna.
Antunes era candidato a líder de uma instituição nacional de defesa dos direitos humanos, cuja principal função é defender os cidadãos contra os abusos praticados pela Administração e pelos poderes públicos, e RBG foi radical na defesa dos direitos humanos.
A 10 de Abril, Tiago Antunes, candidato a provedor de Justiça, chegou à audição parlamentar confiante e com um pin na lapela: a mulher de óculos grandes e gola de renda que tinha no casaco é a juíza norte-americana Ruth Bader Ginsburg e, por isso, o pin era um statement político com sentido duplo.
A juíza RBG, como é conhecida, é um modelo de radicalismo e de moderação.
Sendo uma democrata liberal, tinha relações sólidas com conservadores republicanos e é célebre a proximidade com o juiz Antonin Scalia, no Supremo Tribunal dos EUA, e o facto de os dois terem votado juntos em inúmeros acórdãos ao longo de 23 anos, ignorando as diferenças ideológicas profundas. Para não falar da amizade: iam juntos à ópera, celebravam juntos a noite de passagem do ano e uma vez passearam juntos num elefante na Índia. A candidatura de Antunes era resultado da moderação: o PS propôs, o PSD achou bem e desse entendimento colegial saiu o anúncio. -Bárbara Reis in https://www.publico.pt/ (excerto)
O pin que Tiago Antunes levou na lapela é pura demagogia pois não consta que Ruth Ginsburg alguma vez tenha colaborado com um governo que fez escola na manipulação da informação, na fabricação de informação, na sonegação do direito à informação dos cidadãos, com o objectivo de destruição da oposição, de destruição de informação livre, de destruição de classes profissionais, de desfalques de dinheiro público, etc.
Portanto, andar com um pin para dizer que é uma pessoa que se dá com toda a gente, é pura demagogia. E ainda bem que muitos o perceberam muito bem.
Gostava que Bárbara Reis dissesse se considera que estes homens que adejam à volta de Trump e contribuem activamente para o seu modo de governar com métodos de bullying, destruição da administração pública e de várias profissões, ataque à informação livre, manipulação de informação, etc. não devem ficar sob cautela quanto a uma participação futura na política (se Trump sair do cargo), dado os estragos que, conscientemente, estão a fazer ao país. Será que Bárbara Reis considera que devem ficar livres da 'maldição Trump' desde que andem com um pin com a cara de alguém que é oposto do que eles são?