October 14, 2026

Lido muito mal com a incompetência, o absurdo lógico e o abuso de poder

 

Não falo de cometer erros que todos cometemos, falo da falta de competência, da falta de noção do que significa ser competente, da falta de vontade de melhorar, de consequências evitáveis devido a práticas de pessoas sem noção do absurdo lógico e, claro, do abuso de poder, nomeadamente dos pequenos poderes.

Fui a um hospital consultar um médico por causa de mais um problema. O médico disse-me o que pensava que era e mandou que fizesse um exame daqui a um mês ou dois, no máximo. Saí da consulta, fui ter com a senhora que marca consultas, com a prescrição do exame. Diz-me ela, 'vou marcar para o ano, para Fevereiro'. Disse-lhe a instrução do médico. Resposta: 'ah, se é assim não posso marcar, tem de ser «elas» a marcar'. «Elas», devem ser uma qualquer divindade que aparece nestas alturas. Enfim, disse-lhe que me ligassem porque tenho muitas marcações médicas. Muitas, mesmo. Resposta: 'ah, isso é que se calhar não é possível, elas não costumam ligar'. Como assim...? 'Elas marcam'. Chegados aqui fiz um esforço para não me irritar com o absurdo da resposta e disse-lhe: sou uma doente oncológica, tenho muitas patologias e muitas marcações médicas e não vejo qual é o benefício de «elas» marcarem o exame para um dia e hora em que já tenho outras marcações. Resposta: 'o mais que posso fazer é escrever aqui na prescrição que a senhora pede para ligarem porque tem muitas marcações'.

Quer dizer, qual é o sentido de um hospital marcar exames aos doentes sem perguntar se podem nesse dia? E nem sequer é preciso uma pessoa justificar os seus compromissos de saúde ou de trabalho ou de vida. Onde passa pela cabeça de alguém, não estúpido, que os doentes não têm vida própria e estão sempre livres às ordens do hospital?

O mais certo é ninguém me ligar e não me marcarem o exame e eu ter de ligar para lá e falar com alguém que me marque o exame. 

Isto é de uma incompetência que brada aos céus. E evitável. Marcar um exame não é um problema grande. Um cancro é um problema grande que mesmo sendo competente nem sempre se resolve bem. Mas marcar um exame sem falar com o doente que o vai fazer? Quem são as «elas» que decidem tamanho absurdo só para complicarem a nossa vida e a deles? Isto é um mero abuso de poder, baseado no absurdo e na incompetência.

Se o pessoal administrativo é tolo e tem aquele tique do abuso dos pequenos poderes, próprio dos incompetentes, tanto faz que tenhas bons profissionais como não. 


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