October 26, 2026

Isto não é mentira

 

Nós ou o caos

Desde a queda do Muro de Berlim e do colapso da URSS e dos ideais do homem novo, a extrema esquerda perdeu as referências e a utopia. E passou a lutar apenas pelo fim de todas as outras.

Mário Ramires

Destruir é a palavra de ordem. Não deixar pedra sobre pedra, acabar com os valores, princípios e referências da sociedade ocidental, que derrubou sem apelo nem agravo todos os ideais e ideários de uma sociedade, de uma economia e de uma cultura falidos à nascença, nas suas contradições insanáveis, assentes nas utopias jacobinas, marxistas, trotskistas, comunistas... da extrema-esquerda. Implodiram por dentro no fim dos anos 80-inícios de 90 do século passado, com a queda do Muro de Berlim e o colapso da União Soviética e do chamado Bloco de Leste (do Pacto de Varsóvia).

Claudicou com a Perestroika e a Glasnost de Mikhail Gorbachev e Eduard Shevardnadze, alavancadas pelo precursor movimento sindical antitotalitarismo comunista e soviético de Lech Walesa na Polónia, apoiado pelo Papa João Paulo II, também polaco de origem (Karol Wojtyla) que foi feito Santo pelo Papa Francisco. Um movimento de resistência pacífica – Solidariedade – que começou nos portos de Gdansk e durante anos lutou pela legalização de um sindicato independente que acabou por juntar milhões de apoiantes e levar a sua avante, valendo o Nobel da Paz ao seu líder, Walesa.

Naquele dia 9 de novembro de 1989 não caiu só o Muro que separava as duas Alemanhas – Federal e Democrática. Desabou todo o Bloco de Leste e uma conceção do mundo – política, social e económica. A extrema-esquerda viu-se órfã de ideário e de causas. Ruiu tudo. Modelos insustentáveis sob todos os pontos de vista, políticas falhadas ou obsoletas, pobreza insana e generalizada, aparelho de Estado corrupto, ausência de liberdades e garantias, desrespeito absoluto pelos direitos mais básicos. O que bem se sabe.

Sem alicerces para construir o que quer que seja, sobrou-lhes a tentativa de destruição do regime que lhes desfez as ilusões.

Da morte ao capitalismo passaram rapidamente para os atentados à democracia ocidental, ao estado de Direito democrático, às instituições, à autoridade do Estado, aos valores morais e éticos.

O abraço às causas fraturantes ou a defesa das minorias foram meros pretextos.

Sem o voto popular, a busca ou intenção foi sempre a de querer subjugar as maiorias. As normas. A lei vigente. As regras.

Para eles, só há um ‘nós ou o caos’!

Sendo que o ‘nós’ – eles – é/são a ausência de soluções, o protesto pelo protesto, a rua pelo antipoder, a desordem pública, o saque, a pilhagem, a destruição... o caos.

O direito à manifestação é inquestionável, mas também tem regras. Claras. E a autoridade tem de se impor.

Sob pena de a maioria ficar sujeita a uma minoria de meliantes e criminosos que se aproveitam do pânico e do terror públicos.

SOL (Excerto)

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