Nós ou o caos
Desde a queda do Muro de Berlim e do colapso da URSS e dos ideais do homem novo, a extrema esquerda perdeu as referências e a utopia. E passou a lutar apenas pelo fim de todas as outras.
Mário Ramires
Destruir é a palavra de ordem. Não deixar pedra sobre pedra, acabar com os valores, princípios e referências da sociedade ocidental, que derrubou sem apelo nem agravo todos os ideais e ideários de uma sociedade, de uma economia e de uma cultura falidos à nascença, nas suas contradições insanáveis, assentes nas utopias jacobinas, marxistas, trotskistas, comunistas... da extrema-esquerda. Implodiram por dentro no fim dos anos 80-inícios de 90 do século passado, com a queda do Muro de Berlim e o colapso da União Soviética e do chamado Bloco de Leste (do Pacto de Varsóvia).
Claudicou com a Perestroika e a Glasnost de Mikhail Gorbachev e Eduard Shevardnadze, alavancadas pelo precursor movimento sindical antitotalitarismo comunista e soviético de Lech Walesa na Polónia, apoiado pelo Papa João Paulo II, também polaco de origem (Karol Wojtyla) que foi feito Santo pelo Papa Francisco. Um movimento de resistência pacífica – Solidariedade – que começou nos portos de Gdansk e durante anos lutou pela legalização de um sindicato independente que acabou por juntar milhões de apoiantes e levar a sua avante, valendo o Nobel da Paz ao seu líder, Walesa.
Sem alicerces para construir o que quer que seja, sobrou-lhes a tentativa de destruição do regime que lhes desfez as ilusões.
Da morte ao capitalismo passaram rapidamente para os atentados à democracia ocidental, ao estado de Direito democrático, às instituições, à autoridade do Estado, aos valores morais e éticos.
O abraço às causas fraturantes ou a defesa das minorias foram meros pretextos.
Sem o voto popular, a busca ou intenção foi sempre a de querer subjugar as maiorias. As normas. A lei vigente. As regras.
Sendo que o ‘nós’ – eles – é/são a ausência de soluções, o protesto pelo protesto, a rua pelo antipoder, a desordem pública, o saque, a pilhagem, a destruição... o caos.
O direito à manifestação é inquestionável, mas também tem regras. Claras. E a autoridade tem de se impor.
Sob pena de a maioria ficar sujeita a uma minoria de meliantes e criminosos que se aproveitam do pânico e do terror públicos.
SOL (Excerto)
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