September 23, 2026

Não acredito nisto



Presidente do Júri Nacional de Exames diz que teste-piloto na prova de Filosofia não detectou falhas nos QR Codes

Rui Pires admite que a classificação digital “correu inicialmente mal”, mas diz que o piloto de Filosofia não detectou a falha que provocou os principais problemas de 2026: a leitura dos códigos QR.
Público
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Porque é que não acredito nisto? Porque estive a vigiar exames.

As folhas de resposta dos alunos vêm com um QR no canto superior de todas as páginas e, em baixo desse código, vem um número de 6 algarismos que corresponde àquela prova, como se vê nesta imagem onde o código tem o número, 123456:

Acontece os alunos poderem pedir folhas extra para completarem respostas, as famosas, 'folhas de continuação'. 
As folhas de continuação, como são dadas a qualquer aluno que as peça, não vêm com o código e número que corresponde ao do aluno que as pediu, como é óbvio. Portanto, o número tem de ser preenchido pelo professor ou pelo aluno, à mão.
Como se faz isso? 
O professor ou o aluno copiam o número da prova desse aluno, das folhas de prova para a folha de continuação.

Temos aqui um exemplo em que uma folha de continuação está sobreposta a uma folha de resposta do aluno: o número do QR da folha do aluno é copiado para a folha de continuação e os círculos correspondentes aos números são preenchidos (nesta imagem não estão preenchidos).

Este número mais os círculos são lidos digitalmente.
Os números que aqui se vêem estão escritos à máquina, mas nos exames, os números são escritos por professores e alunos e alguns são difíceis de perceber porque a letra cursiva é irregular e tem idiossincrasias. Vi tantos números destes difíceis de perceber (aquilo é um 1 ou um 7? Um 6 ou um 0?) em tantas provas que comentei, eu e outros colegas, que era impossível que uma máquina os conseguisse ler. Como se isso não bastasse, se não se pintam os círculos como muito cuidado e nalgum a tinta sai um pouco fora do círculo ou é pouco carregada, a máquina também não lê. Não é assim tão inteligente.

Como se esqueceram de pôr na folha de resposta um local para identificar a versão da prova, ainda havia uma folha solta que se dava a todos os alunos, também com preenchimento do número de prova e círculos, para esse efeito, o que duplica os erros em todos os casos em que os números não são completamente leligíveis.

Portanto, não acredito que em milhares de provas não tenham havido falhas no QR. Calculo que seja estatisticamente impossível.



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