Handel costumava tocar o cravo em segredo porque o pai não aprovava as suas tendências e ambições musicais. Levou um pequeno clavicórdio — um instrumento de teclado muito silencioso — às escondidas para o sótão em vez de um cravo para escapar à fúria do pai.
Pensar que no tempo de Handel a maioria das pessoas, para além da música que ouvia nas missas e nas festas públicas que metiam pequenas orquestras ou bandas (nas cidades), só com muita sorte ouviria tocar músicas como esta e, uma vez na vida. O impacto e a sede de mais que isso deveria deixar em cada um que tinha a sorte de as ouvir é inimaginável. Temos muita sorte em poder começar o dia com uma inspiração destas.
Até há muito pouco tempo a arte era um luxo de apenas alguns e a maioria tinha apenas a Natureza para consolar a sede do belo e do sublime. Talvez por isso a arquitectura pública tivesse, até há pouco tempo, exigências estéticas. Agora aceita-se a subjectividade total do sentimento do artista como critério do interesse público. No dias de hoje, dado que se destruiu a Natureza e a arquitectura pública, resta-nos, fora das cidades, a internet.
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