August 18, 2026

De cada vez que um país passa para a frente tem por detrás um massivo investimento na educação

 


Porém, praticamente ninguém tira daí ilações e até acontece haver países que tendo um bom sistema de educação o destroem intencionalmente como aconteceu aqui no rectângulo.


China caça talento científico... e os EUA estão a dar uma ajuda

Na corrida pelo talento científico e tecnológico, a China está a afirmar-se como uma alternativa credível aos Estados Unidos da América

Li Yuan / "The New York Times" (traduzido pelo expresso.pt/)

Zhilin Yang. Tal como muitos chineses, foi para os Estados Unidos para fazer a pós-graduação. Mas, em vez de ficar, regressou à China para fundar a Moonshot AI. Em julho, a sua empresa lançou um modelo de IA de código aberto, chamado Kimi K3, que se aproxima do desempenho dos melhores modelos desenvolvidos nos Estados Unidos, e a um custo inferior.

Yang não tinha falta de oportunidades nos Estados Unidos quando concluiu o doutoramento na Carnegie Mellon, em 2019. Mas disse a Ruslan Salakhutdinov, professor de informática e orientador da sua tese de doutoramento, que estava determinado a criar uma empresa na China.

"Os EUA continuam a ter uma vantagem enorme. Temos as melhores pessoas", afirmou Salakhutdinov. “Mas a China tornar-se-á mais atrativa. No setor da IA, isso está a tornar-se muito evidente”.

A China também tem tido cada vez mais sucesso no recrutamento de cientistas académicos estrangeiros. Omar Yaghi, que partilhou o Prémio Nobel da Química do ano passado, deixou a Universidade da Califórnia, em Berkeley, para ingressar na Universidade de Tsinghua, onde irá dirigir um instituto que utiliza IA para acelerar a descoberta de novos materiais. Desde o ano passado, universidades da China continental e de Hong Kong recrutaram pelo menos oito matemáticos de renome provenientes de instituições ocidentais. Joshua Zahl, que colaborou com Hong Wang, uma das vencedoras da Fields Medal deste ano, aceitou um cargo de professor a tempo inteiro na Universidade de Nankai. Recusou-se a comentar a sua mudança.

São vitórias significativas para um país onde Tu Youyou foi a única cientista a trabalhar na China continental a receber um Prémio Nobel numa categoria científica.

A maior mudança na capacidade de recrutamento da China é o dinheiro, afirmou Dong Jielin, que investiga as políticas chinesas nas áreas da ciência e tecnologia. Há duas décadas, disse, esperava-se que os cientistas que regressavam do estrangeiro aceitassem sacrifícios financeiros em nome do serviço ao país. Atualmente, as universidades chinesas conseguem oferecer salários competitivos com os da Europa, além de generosos pacotes de apoio à mudança.

Ainda assim, depois de terem sido anunciados os vencedores da Fields Medal, uma questão surgiu na extensa cobertura dos meios de comunicação chineses e numa enorme onda de discussões online: será que o sistema académico chinês consegue dar a jovens investigadores ainda sem provas dadas a liberdade, a paciência e a tolerância ao fracasso de que necessitam para se tornarem excecionais?

Os dois vencedores nascidos na China, Wang e Yu Deng, ingressaram na Universidade de Pequim em 2007. Deng, medalhista de ouro na Olimpíada Internacional de Matemática, foi admitido diretamente no curso de Matemática da universidade. Depois do segundo ano, transferiu-se para o Massachusetts Institute of Technology, obteve o doutoramento em Princeton e tornou-se professor na Universidade de Chicago.

Disse que, naquela época, era comum entre os estudantes chineses de ciências fundamentais prosseguirem o doutoramento no estrangeiro. A matemática chinesa melhorou substancialmente desde então, afirmou, e as publicações de investigadores radicados na China nas principais revistas de matemática aumentaram significativamente.

A China consegue cada vez mais igualar o financiamento e as infraestruturas que atraem cientistas de renome. O que tem mais dificuldade em reproduzir são a liberdade, a confiança e a estabilidade institucional que permitem aos jovens talentos desenvolver todo o seu potencial. Essas continuam a ser algumas das maiores vantagens dos Estados Unidos — e precisamente as vantagens que as atuais políticas do país estão a pôr em risco.

"Os EUA costumavam ser uma espécie de escolha por defeito, uma opção óbvia", afirmou Terence Tao, um matemático nascido na Austrália e vencedor da Fields Medal, que é professor na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, num vídeo.

No ano passado, a suspensão do financiamento federal à UCLA pela administração Trump afetou tanto a sua bolsa pessoal como um instituto que ajuda a dirigir. O financiamento foi reposto depois de uma ação judicial bem-sucedida. Mas Tao alertou que interrupções abruptas no financiamento podem fazer descarrilar projetos plurianuais e prejudicar a confiança dos investigadores no sistema. "Os melhores e mais brilhantes podem já não vir automaticamente para os EUA, como têm feito durante décadas", afirmou.

Os estudantes estrangeiros receberam quase 44% dos doutoramentos em áreas STEM atribuídos pelas universidades americanas em 2023. Estudantes provenientes da China obtiveram 17% de todos os doutoramentos americanos em ciência e engenharia em 2020, e cerca de 87% dos chineses que receberam esses doutoramentos entre 2005 e 2015 tencionavam permanecer nos Estados Unidos, segundo um estudo de 2023.
(excerto)

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