Problemas nos exames podem desencadear aumento de reapreciações das provas. Mas como funciona o processo?
Expresso
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Este artigo só explica o procedimento do lado do aluno e esquece de dizer o lado do professor reapreciador.
Há dois tipos de pedido de reapreciação: um refere-se a erros técnicos, outro a discordância na interpretação da aplicação dos critérios de correcção.
No primeiro, o aluno detecta algum erro que pode ser, por exemplo, na soma total das cotações parciais ou na avaliação da escolha múltipla - acertou em 8 e a classificação só contabilizou 7 como correctas. Esses são simples e rápidos de resolver.
O segundo tipo de pedido de reapreciação é muito mais complexo. O aluno contesta a aplicação dos critérios de correcção e nessa medida argumenta, relativamente a uma ou mais questões, por que razão entende que o classificador do seu exame aplicou mal e em seu prejuízo, as indicações dos critérios de correcção. Nestes casos, o professor reapreciador tem que reavaliar a prova tendo em conta a classificação original, os critérios de correcção e os argumentos apresentados pelo aluno.
Se concorda com o aluno, pode apenas dizer isso, que reconhece que a argumentação do aluno tem mérito e concede o seu pedido de subida de classificação. Porém, se não concorda, terá de argumentar por escrito e pormenorizadamente uma contestação dos argumentos do aluno e explicar porque concorda com a classificação original: terá de referir os critérios de correcção, o conteúdo da resposta do aluno em várias dimensões, o modo com a apresentou, o raciocínio, a linguagem, os erros de conteúdo, os que cometeu previstos nos critérios de correcção, como a classificação original cumpre os critérios de correcção e o que mais for pertinente. Como tem de ler e apreciar todo o teste e não apenas a questão ou questões alvo de pedido de reapreciação, se considerar que a nota do aluno em outras questões deve subir ou descer, terá de construir uma argumentação própria para cada questão em que altere a classificação inicial.
Isto dá um enorme trabalhão! Ouço dizer que para fazer este tipo de trabalho os advogados levam mais mais de 1000 euros à peça e se forem muito conhecidos e o caso importante, podem levar 50 mil euros. Isto é só para pôr as coisas em perspectiva.
É especialmente irritante termos que fazer esse trabalho de escrever longos e pormenorizados textos de argumentação, quando pegamos em alguns desses testes com pedidos de subida de nota e vemos claramente que a classificação original já beneficiou extraordinariamente o aluno.
Estou de acordo em que o pedido de reapreciação seja pago e a nota possa descer, pois não sendo, todos os alunos a pedem por não terem nada a perder, como acontecia no passado, o que representa um acréscimo enorme e injustificado de trabalho para os professores.
Compreendo que este ano, dadas estas barracas todas vá haver muitos pedidos de reapreciação por parte de alunos que precisam das notas, mas mesmo assim penso que devem ser pagas e ser mais caras do que são. Se o pedido do aluno tiver mérito, então devolve-se o dinheiro, como já se faz no primeiro tipo de reapreciações.
Além de tudo o que escreveu, acresce que alguns colegas - muitos - sobem a classificação, para "beneficiar" os alunos, coitsdinhos!
ReplyDeleteNa nota interna, não na classificação de exames.
DeleteNão, também na CE.
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