Procuro activamente vídeos de professores que por esse mundo fora desenvolveram estratégias didácticas que resultam e estratégias pedagógicas eficazes para lidar com o mau comportamento de alunos. Quase sempre me surpreendo pela negativa em relação a estes últimos.
Há muitos professores com vídeos a criticar outros professores e métodos e a falar como se fossem diferentes, não sendo. O que dizem não passa de conversa inconsequente.
Este aqui do vídeo responde a uma pergunta sobre como recompensa e pune alunos que cumprem, ou não, a ordem de guardar os telemóveis num sítio qualquer combinado durante a aula. Ele começa por dizer que não pune alunos e acaba a dizer, com um ar de quem evoluiu para um patamar acima dos outros, que os professores devem motivar os alunos em vez de punir - aliás é o título do vídeo.
A seguir diz o que faz quando há alunos que se recusam a guardar o telemóvel no sítio ou mentem dizendo que o fizeram sem tê-lo feito.
Primeiro, diz ele, dá o exemplo e ele mesmo guarda o seu telemóvel - isso é o básico e todos o fazem...- depois convida os alunos a irem lá pôr o telemóvel. Se não forem, ele mostra que esse comportamento tem consequências. Como? Liga aos pais e reportar o sucedido. !! Hello?? O que é isso senão uma punição? É óbvio que ele sabe que um professor ligar aos pais a fazer queixa é entendido pelo aluno como uma punição, porque é isso mesmo e na maior parte das vezes esse aluno vai ser punido pelos pais. Portanto, quando ele diz que não pune alunos, o que ele quer dizer é que transfere a responsabilidade da punição para outros, neste caso os pais.
E o que acontece se os pais responderem que o professor é que está errado e que o filho tem o direito de ter o telemóvel consigo? Nos dias de hoje isso acontece muito. O que faz ele? Não diz. Nem considera a possibilidade.
Isto, ou é falta de entendimento ou falta de honestidade intelectual.
Dos milhares de vídeos que vejo, há imensos professores com contas nas redes sociais que adoptam este tom de superioridade de quem descobriu a pólvora ou alguma fórmula mágica que os outros ainda não encontraram, e até criticam os outros professores, mas depois quando vamos ver a sua alternativa, é a mesma coisa só que dito de outra maneira para parecer diferente.
No entanto, estes vídeos, sendo vistos por muita gente que não é professor mas é encarregado de educação ou é alguém define políticas de educação mas não sabe pensar e não sabe nada de educação escolar, leva a que muitos tenham opinião de que há professores que descobriram a pólvora dos alunos, uma espécie de chave universal de lidar com todos os alunos e que isso é possível. Não é.
Talvez seja possível enquanto são crianças, se não tiverem nenhum problema ou patologia - talvez este professor trabalhe com alunos de 10 ou 12 anos, ainda muito editáveis.
Há sempre alunos que saem da norma e nenhum vêm com uma etiqueta com a composição pormenorizada e instruções particulares de gestão e a composição da própria turma tem uma grande influência no seu comportamento geral. (no nosso país, o DT tem uma importância capital no comportamento da turma.)
Normalmente as turmas vêm com um par de alunos ou um trio com comportamentos problemáticos que resolvemos de vários modos, mas por vezes não são dois ou três mas dez ou doze e isso torna o problema muito complicado de resolver, não só pelo número de alunos mas também porque entre esses dez ou doze, há situações diferentes.
Até podem ser apenas dois alunos numa turma, mas nesses dois, um tem um transtorno de impulsividade explosiva e outro é um delinquente com cadastro na polícia por crimes cometidos. Não são pessoas que se possam controlar com telefonemas aos pais - que às vezes são como eles - ou com motivação de convidá-los a fazer isto e aquilo.
Alguns alunos, aos 15 ou 16 anos têm já o (mau)carácter formado (isso vê-se nas atitudes e comportamentos) e só conseguimos geri-los, mais ou menos, porque são muito novos e ainda lhes falta a experiência de vida para saberem disfarçar, ainda são transparentes aos olhos de um adulto com treino, mas dificilmente são já editáveis. Talvez um dia se lhes acontecer qualquer coisa com um tremendo impacto na sua vida que os abale internamente. Outros nem mesmo assim porque vêm com transtornos mentais permanentes ou desenvolvem-nos diante dos nossos olhos, por essas idades dos 15, 16 e 17 anos e no processo de os desenvolverem causam grandes problemas na turma.
Por conseguinte, não há uma fórmula mágica de lidar com alunos e turmas problemáticas. Temos estratégias que desenvolvemos ao longo dos anos, mas que depois têm de ser ajustadas a cada situação particular e mesmo se não somos a favor de educar por punições, há alunos que só respondem com a punição de fazer queixa aos pais ou de ter um processo disciplinar, por causa da reação dos pais.
Certos vídeos supostamente diferentes na abordagem pedagógica são muita conversa e pouca seriedade.
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