July 12, 2026

BHL está na, actualmente, difícil posição de não ser extremista - o anti-semitismo europeu



Bernard-Henri Lévy considera o isolamento de Israel após 7 de outubro um «fracasso moral histórico»

ETGAR LEFKOVITS


O isolamento diplomático de Israel durante a guerra em Gaza, na sequência do massacre perpetrado pelo Hamas a 7 de Outubro, ficará na história como um fracasso moral e uma derrota da humanidade, afirmou na quinta-feira o filósofo francês Bernard-Henri Lévy.

«A ausência de apoio a Israel será considerada pelos futuros historiadores como um momento de enorme desonra para o Ocidente», disse Lévy ao JNS numa entrevista em Telavive. «É uma derrota da humanidade e uma derrota moral. É a perda de qualquer bússola moral.»

Lévy, que vive em Paris, dirigiu-se apressadamente a Israel no dia seguinte aos ataques de 7 de Outubro e, no ano seguinte, escreveu Israel Alone, um livro sobre a falta de apoio diplomático ao Estado judeu no Ocidente.
«Fiquei mais do que chocado».
BHL regressou a Israel na quinta-feira para proferir o discurso principal na conferência anual sobre o anti-semitismo contemporâneo, organizada pelo Centro Comper para o Estudo do Antissemitismo e do Racismo da Universidade de Haifa. O encontro é a maior conferência académica anual sobre o antissemitismo moderno, atraindo cerca de 550 participantes, incluindo 250 oradores presenciais, com outros a participarem virtualmente a partir do estrangeiro.

O intelectual francês de 77 anos, vulgarmente conhecido como BHL, condenou o aumento do anti-semitismo, que classificou como «sem precedentes na minha vida», referindo que raramente dá palestras em França por razões de segurança e que o único local seguro onde pode falar no Reino Unido é uma sinagoga.

«Mesmo que venha falar sobre filosofia ou assuntos não judaicos, o único lugar seguro para mim no Reino Unido é uma sinagoga», afirmou.

Lévy referiu que vive sob protecção policial em Paris há mais de duas décadas, desde a publicação do seu livro sobre o assassinato, em 2002, do repórter do Wall Street Journal, Daniel Pearl, no Paquistão.

Consciente do crescente êxodo de judeus das cidades da Europa Ocidental, Lévy afirmou estar determinado a ripostar.

«A Europa não teria futuro se os judeus recuassem», afirmou, culpando uma mistura tóxica de «anti-semitas estúpidos, analfabetos e bárbaros» e uma liderança francesa cuja postura em relação a Israel muitas vezes atira achas para a fogueira.

«A situação dá-me vontade de resistir, de lutar e de vencer», afirmou.

Um centrista convicto da velha guarda, Lévy afirmou opôr-se tanto à extrema-esquerda abertamente anti-semita em França como à extrema-direita pró-Israel, que encara com igual preocupação. No ano passado, boicotou uma conferência em Jerusalém sobre o anti-semitismo devido à participação de um líder de alto escalão de um partido de extrema-direita.

«É um momento sombrio para os judeus em todo o mundo», afirmou. «Temos de nos manter orgulhosos, fortes e sensatos.»


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