Por que te calas?
António José Seguro não quererá – nem, mesmo querendo, poderia – ser como Marcelo Rebelo de Sousa. Mas manter-se mudo e quedo, com o que se está a passar, também não pode.
Mário Ramires
Quase ninguém deu importância à notícia do assalto ao restaurante Belém 2 a 8, ali paredes meias com o palácio que é Residência Oficial do Presidente da República e mesmo em frente à esquadra da PSP que fechara dias antes para obras.
A verdade é que esse roubo – com arrombamento da porta de vidro do estabelecimento – é um sinal dos tempos e da falta de segurança à vista de toda a gente, sendo que se trata de edifício vizinho da Presidência da República. Sim, como é possível que o perímetro do Palácio de Belém esteja completamente vulnerável e sem vigilância? Ao ponto de um qualquer larápio poder sentir-se com todas as condições para partir o vidro da porta, introduzir-se no restaurante, apoderar-se do que quis e pôr-se em fuga?
Por mera coincidência, dias depois, o gabinete do líder da Oposição no Palácio de S. Bento, no andar mais nobre da Assembleia da República, foi também violado e vandalizado por alguém até hoje não identificado. Garante André Ventura que houve documentos em suporte de papel e digital que foram furtados. Mas não faltaram as vozes que, de imediato, alvitraram a possibilidade de tudo não passar de uma encenação.
Seja como for, estaremos sempre perante mais um caso grave de absoluta insegurança e falta de vigilância no interior da sede de um órgão de soberania.
Não há câmaras de vigilância nem nenhum tipo de controlo – para além dos mais básicos nas portas de acesso do exterior – no interior do Palácio de S. Bento, seja nos Passos Perdidos, seja noutras áreas comuns ou até nas mais reservadas, como as salas dos partidos ou os gabinetes dos deputados.
Sem câmaras nem, que se saiba, testemunhas, provavelmente ficaremos sem saber o que realmente se passou naquele gabinete. Aliás, o mais provável é que o inquérito entretanto aberto acabe arquivado como todos os outros que o Ministério Público considerou inconclusivos e sem mais diligências passíveis de poderem contribuir para o apuramento da verdade. Enfim...
É no mínimo estranho que não haja qualquer tipo de vigilância e de segurança no interior da Assembleia da República. Ao ponto de um deputado que se queixa de ali ter sido vítima de furto de um computador portátil – Duarte Pacheco (PSD) – assumir que até para ir ao WC deixa a porta do gabinete fechada à chave.
Jornal SOL
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