July 14, 2026

Asabiyyah

 


Os alicerces da civilização: o sentimento de grupo

LEO AND THINKINGWEST

Ibn Khaldun é um dos maiores historiadores e cientistas sociais da Idade Média, embora seja frequentemente ignorado no mundo ocidental. A sua obra lançou as bases para vários campos — incluindo a historiografia, a sociologia, a economia e a demografia — devido à sua abordagem abrangente.

A sua obra-prima, A Muqaddimah (que significa «A Introdução»), constitui uma tentativa de escrever uma história universal das civilizações, descrever como estas surgem e declinam, e assenta inteiramente no conceito de asabiyyah.

Segundo Ibn Khaldun, a asabiyyah é a força motriz central do desenvolvimento da civilização. Pode ser traduzida, em termos gerais, como «sentimento de grupo» ou «solidariedade de grupo» — trata-se do profundo laço cultural e social que um povo partilha. O sucesso de uma sociedade está intrinsecamente ligado à intensidade da sua asabiyyah e, para preservar o poder, um povo deve manter uma asabiyyah mais forte do que a dos grupos seus concorrentes.

Pode parecer um conceito nebuloso à primeira vista, mas Ibn Khaldun afirma que a asabiyyah pode ser resumida a algo bastante concreto: a vontade de lutar pelo próprio grupo e de defender o seu bem-estar. Ibn Khaldun escreve: 
«A asabiyyah gera a capacidade de se defender, de opor resistência, de se proteger e de fazer valer as próprias reivindicações.» E, de forma ainda mais simples: a asabiyyah «significa afecto e vontade de lutar e morrer uns pelos outros».
Tendo isto em conta, torna-se claro por que razão a asabiyyah tem consequências graves para uma cultura, uma vez que Ibn Khaldun a associa directamente à capacidade de vencer guerras. Ele afirma que, quando dois grupos de igual número entram em confronto, o lado com um sentimento de grupo mais unificado prevalecerá. Assim, a força da asabiyyah determina o destino final de uma cultura.

Mas a asabiyyah afecta mais do que apenas a força do exército de uma nação; orienta também os movimentos políticos e as hierarquias sociais no seio de uma civilização. Ibn Khaldun escreve que 
«... todo o empreendimento (político) de massas requer, por necessidade, um sentimento de grupo.» 
A asabiyyah é, segundo Ibn Khaldun, vital para a saúde a longo prazo de uma civilização — moldando a sua política interna e a sua posição na cena internacional —, mas como é que uma cultura adquire a asabiyyah, em primeiro lugar? Por que razão algumas culturas têm um forte sentimento de grupo, enquanto outras não?


E já agora: alguém imagina a Ucrânia ter sido capaz de defender-se da Rússia sem uma forte asabiyyah?
Alguém imagina a Europa a ser capaz de defender-se das forças que a querem destruir sem uma forte asabiyyah? Não só entre os países mas dentro de cada país? Fracturados por extremistas ao serviço de asabiyyahs alienígenas à nossa?

No comments:

Post a Comment