“If you pay people not to work and tax them when they do, don’t be surprised if you get unemployment.”
— Milton Friedman
Lembrei-me de uma mulher que conheço há bastante anos e que tem uma pequena empresa de limpezas há três ou quatro anos. Não é uma pessoa com estudos universitários, com posses ou com família que pudesse ajudá-la com investimentos. Em contrapartida, é inteligente e muito empreendedora e fez tudo sozinha, desde pesquisar esse tipo de negócio a montá-lo e a divulgá-lo. Fez o logótipo, fez tudo.
Como ela é conhecida na zona -tinha um táxi seu, que entretanto vendeu, com dezenas de clientes fiéis (foi aí que a conheci) e excelente reputação-, é muito exigente consigo mesma e trabalha que nem uma maluca, o negócio vai de vento em popa (trabalha sobretudo para empresas, clínicas, pequenos hotéis, etc.) e é obrigada a recusar muitos trabalhos porque não tem pessoal que chegue.
Está sempre aflita com falta de pessoal. Outro dia dizia-me, "É difícil arranjar pessoal e mesmo quando se arranja, muitas trabalhadoras vão-se embora ao fim de pouco tempo porque o trabalho é cansativo e eu sou exigente, tem que ficar tudo excelente. Então, preferem receber o subsídio de desemprego, apesar de ficarem a perder dinheiro relativamente ao que ganhariam de salário, pois em contrapartida poupam dinheiro na creche dos filhos e não têm que se chatear com ir trabalhar."
Noto isso nos alunos, cada vez mais. Querem começar pelo tecto. Querem ter grande notas sem ter que estudar. Estão sempre a falar nos seus direitos mas não reconhecem nenhum dever. Querem este ou aquele curso a pensar num certo emprego com expectativa de começar logo a ganhar muito dinheiro e ter um certo estilo de vida que vêem na internet e nos programas idiotas da TV.
Se tiram esse curso aparecem na entrevista de trabalho com quinhentas exigências como se fossem o supra-sumo da área. Se não entram no curso que queriam e se as coisas não correm de acordo com essa expectativa, desistem. Vão para casa e ficam à espera que alguém os sustente. Vão fazendo trabalhos: ora fazem entregas na Uber, ora arrumam prateleiras no supermercado, mas tudo por pouco tempo porque o trabalho é cansativo e paga mal.
Entretanto, odeiam os que estudaram e fizerem o que tinham de fazer para melhorar a vida, sem a mínima noção de como esses se fartam de trabalhar e de como muitas vezes começam por ganhar pouco e mal. Vão para a internet queixar-se da vida, fazer-se de vítimas e chamar nomes a quem está a seguir um caminho e melhorou a sua situação, mas entretanto recusam mexer uma palha para melhorar a sua própria situação. Esta mulher que tem esta empresa de limpezas tem uma fila grande de homens, ex-colegas de trabalho, a dizer mal dela, por pura inveja.
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