June 19, 2026

Post só para fanáticos de ópera




Parsifal - Siegfried Jerusalem (tenor)
Klingsor - Pamela Coburn (soprano)
Kundry - Waltraud Meier (mezzo-soprano)
Amfortas - José van Dam (baritono)
Maestro - Daniel Barenboim
Berliner Philharmoniker

(esta é a versão que prefiro, embora para ouvir uma Kundry absolutamente superior tem que ir ouvir-se a Jessye Norman numa versão de Levine no MET)



Parsifal foi a última ópera de Wagner e foi também a gota de água que fez ruir a, já frágil, amizade e respeito de Nietzsche por ele. A ópera reflecte sobre o tema da compaixão cristã. Nietzsche, que tinha exultado as óperas de Wagner como uma afirmação de vida com os seus heróis pagãos dionísicos de sentido renovado e uma libertação do cristianismo, que ele considerava uma religião de servos amarrados à culpa e à submissão, viu em Parsifal uma fraqueza e, acima de tudo, uma traição à arte. Ainda por cima, Nietzsche estava convencido que Wagner tinha enfiado no Parsifal mensagens pessoais para si, nada simpáticas. Esta ruptura veio na sequência do seu afastamento geográfico e, por consequência, emocional, bem como de mal entendidos entre ambos e da sua profunda história intelectual e pessoal, que passou de uma relação de mentoria dedicada a uma amarga alienação.

A ópera foi estreada em Bayreuth, a 26 de Julho de 1882, cerca de seis meses antes da morte de Wagner.

O libretto de Parsifal foi escrito pelo próprio Wagner, a partir de 
Três diferentes fontes que narram a mesma Lenda: "Pecival, o Galês, ou O Conde do Graal" de Chrétien de Troyes, "Parsifal" de Wolfram von Eschenbach, e um manuscrito apócrifo do século XIV denominado "Mabinogion".
Esta Lenda conta que o Santo Graal foi confiado à guarda de Titurel e do seu grupo de Cavaleiros Cristãos. Para o defender, contam com a Lança Sagrada, aquela lança com que o Soldado Romano feriu Cristo na Cruz. Para melhor preservar essas relíquias, Titurel ergueu o Castelo de Montsalvat numa montanha selvagem da Espanha Árabe que se ergue como um baluarte cristão contra o mundo pagão, e especialmente contra Klingsor, um Feiticeiro e inimigo do Bem. 
Klingsor mora numa fortaleza próxima de Montsalvat, à qual tem atraído numerosos defensores do Graal através dos encantos das Donzelas das Flores e da perigosa e sedutora Kundry, reduzindo esses Cavaleiros a seus servos, inimigos dos antigos irmãos de armas. 
Nem mesmo Amfortas, filho e herdeiro de Titurel, conseguiu escapar à magia de Klingsor: ao querer marcar o início do seu reinado com a destruição dos poderes do Feiticeiro, acabou por ceder aos encantos de Kundry, e deixou cair a sua Lança. 
É com essa Lança Sagrada que Klingsor o fere – uma ferida que só poderá ser curada com a própria Lança que a provocou. Ao verem o Rei mortalmente ferido, os Cavaleiros sentem-se perdidos. É então que se ouve uma voz vinda do Santuário do Graal – voz que revela a Amfortas que apenas um jovem inocente e ignorante do pecado será capaz de resgatar a Lança. Apenas ele saberá resistir às tentações do Jardim Mágico.
A realização dessa profecia é o tema central da ópera.
Parsifal é esse herói, um jovem inocente e ignorante do pecado.
Quanto a Kundry é uma espécie de Assueros feminina, uma Judia errante. No manuscrito do século XIV, ela não é outra senão Herodías, condenada a vaguear eternamente por ter rido da cabeça de João Baptista. 
Para Wagner, no entanto, ela foi condenada por ter rido de Cristo ao vê-lo passar com a Cruz a caminho do Calvário. Agora, em busca de perdão, ela serve de mensageira aos Cavaleiros do Graal, mas sucumbe periodicamente à maldição que carrega, refugiando-se no jardim de Klingsor, onde se transforma numa mulher duma beleza deslumbrante, perdição dos Cavaleiros que a encontram. 
Kundry só será libertada quando um deles resistir à tentação. Tal como Amfortas, que se esvai em sangue, também o destino de Kundry está ligado ao aparecimento de Parsifal.  
(https://antena2.rtp.pt/parsifal/)


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