June 22, 2026

Os jornais da esquerda europeia em silêncio quanto ao escândalo de corrupção do PS espanhol



Hoje, um juiz espanhol remeteu Begoña Gómez, a esposa de Sánchez, para um júri popular: tráfico de influências, corrupção em negócios, desvio de fundos e apropriação indevida de fundos públicos. Passaporte apreendido. Proibida de sair de Espanha. Obrigada a comparecer em tribunal duas vezes por mês.

Mas a esposa dele não está sozinha.

O irmão do primeiro-ministro, David Sánchez, é também alvo de uma investigação em Badajoz: as suspeitas centram-se num cargo público que teria sido supostamente criado à sua medida numa administração provincial gerida pelos socialistas.

O próprio partido está a ser arrastado pelo caso Koldo: contratos públicos viciados durante a pandemia, negócios com máscaras, comissões ilegais, envelopes com dinheiro. 

José Luis Ábalos, antigo ministro dos Transportes, antigo secretário de organização do PSOE e aliado próximo de Sánchez, encontra-se em prisão preventiva. O seu antigo assessor, Koldo García, também.

Segue-se Víctor de Aldama, um empresário que se tornou testemunha central em vários processos. Perante os juízes, afirma que lhe foi pedido que negociasse quotas de petróleo venezuelano em Caracas para financiar o PSOE e a Internacional Socialista, que Sánchez preside desde 2022. Afirma ainda ter entregue 1,8 milhões de euros ao PSOE entre 2019 e 2020.

A 20 de janeiro de 2020, Delcy Rodríguez, na altura vice-presidente do regime de Maduro e proibida de entrar em território europeu devido às sanções da UE (actualmente presidente), aterrou no aeroporto de Madrid-Barajas. Foi a partir deste episódio, segundo Aldama, que a operação tomou forma: seis milhões de barris de crude, centenas de milhões de euros e um possível mecanismo de financiamento político em torno do petróleo venezuelano.

No centro deste mecanismo, não estava directamente Sánchez mas o seu mentor: José Luis Rodríguez Zapatero.

O antigo primeiro-ministro socialista está implicado em duas frentes. Em primeiro lugar, no caso Plus Ultra, que investiga o resgate público de cerca de 53 milhões de euros concedido durante a pandemia a uma pequena companhia aérea ligada à Venezuela. E, acima de tudo, no capítulo do petróleo: o juiz descreve um sistema de influência em que, para aceder a certas operações relacionadas com o crude venezuelano, era necessário passar pelo «Gabinete do Presidente Zapatero». Enviar-lhe uma carta de intenções. Obter luz verde. Pagar uma taxa.

Um antigo chefe de governo europeu transformou-se, segundo os investigadores, num ponto de passagem obrigatório para o petróleo de uma ditadura.

E depois surge o círculo final: a China.

Em outubro de 2023, Zapatero deslocou-se a Pequim, convidado para o fórum das Novas Rotas da Seda. Duas semanas depois, uma empresa chinesa descrita no dossiê como dependente do Partido Comunista Chinês envia uma carta de intenções para comprar petróleo venezuelano, em contratos que variam entre cinco e vinte anos.

E esta carta, a quem é endereçada?

Para a Rua Ferraz, 70. Sede nacional do Partido Socialista Espanhol. À atenção de Zapatero.

Uma empresa ligada ao sistema do Partido Comunista Chinês escreve à sede do Partido Socialista Espanhol para comprar petróleo venezuelano, por intermédio de um antigo primeiro-ministro europeu que se tornou um intermediário indispensável.

A investigação estende-se agora ao círculo familiar de Zapatero: as suas duas filhas dirigem uma agência que alegadamente facturou cerca de 240.000 euros em «relatórios» no âmbito desta rede de empresas, com o pai a ser referido nos documentos como o «principal beneficiário».

Entretanto, Pedro Sánchez dá lições de moral a toda a Europa.

- Simone Rodan-Benzaquen



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