O MAI, ex-chefe da PJ, não percebeu que um grupo terrorista ter uma lista de indesejáveis [a abater] onde constava o PM, políticos, jornalistas, a própria AR, etc., que seriam alvo de um ataque era um assunto de Estado que tinha de comunicar imediatamente ao PM? Agora desvaloriza dizendo apenas que houve uma falha e que não faz sentido o PM saber isto pelos jornais? Das duas uma: ou há aqui uma justificação do género, sabiam que alguém próximo do PM ia estragar a operação de desmantelamento do grupo ou, não sendo o caso, se eu fosse o PM perdia imediatamente confiança na capacidade deste senhor ajuízar situações.
Ameaça terrorista: Luís Neves diz que “houve uma falha” ao não avisar o gabinete do primeiro-ministro
Gina Pereira, Público
O ministro da Administração Interna, Luís Neves — que era director-nacional da Polícia Judiciária quando os seis elementos do grupo Movimento Armilar Lusitano foram detidos, em Junho do ano passado — admite que "houve uma falha" por parte das autoridades ao não avisarem o gabinete do primeiro-ministro quando se soube que aquele grupo admitia fazer um ataque com uma granada ao apartamento da família de Luís Montenegro em Lisboa.
(...)
Segundo Luís Neves, quando a operação Desarme 3D foi levada a cabo pela Polícia Judiciária, "aquilo que eram ameaças que eram latentes naquele momento foram transmitidas a quem tinham de ser transmitidas".
Contudo, o responsável admite que na parte final da investigação, após a análise de oito terabytes de prova digital, "houve outros elementos que vieram [ao conhecimento das autoridades] por força das perícias informáticas" levadas a cabo ao vasto material apreendido.
Um dos cabecilhas do grupo era chefe da PSP e estava ao serviço da Polícia Municipal de Lisboa, o que lhe permitiria ter acesso a informação privilegiada.
O agora ministro da Administração Interna admite que, a partir do momento em que as autoridades tiveram conhecimento que o grupo tinha uma "lista de indesejáveis" — que incluía mais de 150 personalidades entre políticos, jornalistas, comentadores e activistas, bem como várias organizações e partidos políticos — e em que se soube que os suspeitos ponderavam um ataque com granada à casa do primeiro-ministro, além de uma invasão do Parlamento, o assunto deveria ter sido tratado "de outra forma".
"De facto, a comunicação poderia e deveria ter sido diferente, porque em matérias de Estado não faz sentido as pessoas serem informadas através da comunicação social. Há uma falha de comunicação", disse o ministro à RTP, garantindo que "sempre que houve ameaças latentes, essas comunicações existiram". Não se sabe até ao momento se o Corpo de Segurança Pessoal da PSP, que é responsável pela segurança do primeiro-ministro, tinha sido informado desta ameaça.
Questionado sobre se tomou alguma iniciativa após ter sido tornada pública esta situação, Luís Neves lembrou que, neste momento, já não tem a tutela da investigação criminal e considerou que a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, "fez o que tinha a fazer".
Na sexta-feira, a ministra da Justiça disse que já falou com os responsáveis do Ministério Público e da Polícia Judiciária, sobre o facto de o primeiro-ministro não sido informado das ameaças deste grupo de extrema-direita, o que deixou Luís Montenegro manifestamente incomodado.
A 17 de Junho de 2025, numa operação intitulada Desarme 3D, a Polícia Judiciária deteve seis pessoas ligadas ao grupo de extrema-direita e neonazi MAL, que era descrito como se fosse uma milícia armada e suspeito de actividades terroristas, discriminação e incitamento ao ódio e à violência. Esta semana, o Ministério Público acusou nove membros do MAL de terrorismo, sendo que o núcleo duro deste grupo era constituído por cinco elementos.
Na operação da Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da PJ foram apreendidos explosivos, armas brancas e armas de fogo. Foram ainda encontradas armas desenhadas em impressoras 3D com capacidade para disparar, algo inédito em Portugal, segundo afirmou então a directora da UNCT, Manuela Santos. Foram apreendidas quatro impressoras e material estimado em milhares de euros.
No comments:
Post a Comment