May 29, 2026

Se Trump quisesse já tinha acabado com a guerra na Ucrânia

 



Resumo da guerra na Ucrânia: Zelenskyy insta Washington a eliminar a «última grande vantagem» de Putin

Os «Patriots» neutralizariam os mísseis balísticos e forçariam a Rússia a negociar, afirma o presidente ucraniano; meio milhão de mortos russos – segundo o chefe do GCHQ. O que sabemos no dia 1 555

Warren Murray 

Volodymyr Zelenskyy fez um apelo simultâneo a Donald Trump e ao Congresso dos EUA para o envio de mais munições de defesa antiaérea, incluindo mísseis Patriot, depois de a Rússia ter bombardeado a Ucrânia com vagas de mísseis balísticos. 

O presidente ucraniano afirmou que os mísseis russos representam a “última grande vantagem no campo de batalha” de Vladimir Putin e que neutralizá-los obrigaria o líder russo a negociar. Segundo a força aérea ucraniana, a Rússia utilizou 30 mísseis balísticos contra a Ucrânia num ataque massivo no domingo, tendo apenas 11 sido abatidos. Zelenskyy afirmou ainda que Moscovo lançou dois mísseis Oreshnik com capacidade nuclear.

O único meio de que a Ucrânia dispõe para abater mísseis balísticos russos são os interceptores fabricados nos EUA utilizados pelo sistema de defesa anti-aérea Patriot. Ao longo de quatro anos de guerra, Kyiv tem sofrido escassez destes interceptores. Os EUA deveriam fornecê-los através da iniciativa Purl, financiada pela Europa, mas a guerra com o Irão e a antipatia de Donald Trump em relação à Ucrânia colocaram os fornecimentos em risco. A Ucrânia dispõe também do sistema de intercepção SAMP/T, semelhante ao Patriot e produzido por França e Itália, mas as autoridades ucranianas afirmam que necessita de melhorias para conseguir abater mísseis balísticos.

Na carta enviada a Trump e ao Congresso norte-americano, consultada pela Reuters, Zelenskyy apresentou a defesa anti-míssil como um instrumento para forçar o presidente russo a sentar-se à mesa das negociações. 
“Enquanto Putin conservar sequer uma vantagem significativa em armamento convencional, evitará a diplomacia convencional. Hoje, os seus mísseis balísticos continuam a ser precisamente isso — a sua última grande vantagem no campo de batalha… A Ucrânia está pronta para adquirir o número de sistemas Patriot e de mísseis interceptores de que necessita… O ritmo actual das entregas através do programa Purl já não acompanha a realidade da ameaça que enfrentamos.”
O Ministério da Defesa russo voltou a anunciar a captura de aldeias ucranianas numa altura em que analistas de topo concordam que a Ucrânia mantém a iniciativa na linha da frente. 

Moscovo afirmou que as suas tropas assumiram o controlo de Hraniv, na região de Kharkiv junto à fronteira russa, e de Vozdvyzhivka, em Zaporizhzhia. O 14.º Exército ucraniano respondeu que Hraniv continua sob controlo ucraniano e que os russos sofreram “perdas significativas em pessoal e equipamento”. 

O DeepState, um respeitado blogue ucraniano sobre a guerra, afirmou que militares russos chegaram a entrar brevemente em Vozdvyzhivka este mês, mas foram expulsos ou mortos. O 14.º Exército negou igualmente a captura de uma das duas aldeias que a Rússia afirmou ter conquistado na região de Sumy.

A Ucrânia dispõe de uma janela de seis meses para recuperar a iniciativa face à Rússia e reforçar a sua posição para futuras negociações de paz, afirmou o brigadeiro-general Andriy Biletsky, do Terceiro Corpo do Exército ucraniano, numa entrevista à Reuters. “Acredito que os próximos seis a nove meses serão um ponto de viragem”, declarou Biletsky, que lidera uma das forças de combate mais respeitadas da Ucrânia, a partir de um bunker não revelado na região de Kharkiv. “Mais precisamente, penso que os próximos seis meses são os mais críticos.”

O general afirmou acreditar que o exército russo está exausto e incapaz de alcançar grandes avanços: “A falta de pessoal já não lhes permite avançar da forma como avançavam, por exemplo, há um ano.” Segundo ele, as forças ucranianas podem obrigar Moscovo a abandonar os seus objectivos sobre a parte restante da região de Donetsk, no leste da Ucrânia, que ainda não controla. “Precisamos de definir as direcções onde podemos melhorar as nossas posições, conquistar alguns pontos estratégicos e depois falar com os russos a partir de uma posição de força — e não de fraqueza — acerca de uma trégua verdadeiramente estável”, afirmou Biletsky, dirigente político de direita que fundou o Batalhão Azov e actualmente comanda dezenas de milhares de soldados. “Do ponto de vista militar, isso é realista.”

Ao avaliar a situação militar, John Helin, do grupo finlandês de análise de conflitos Black Bird, concordou que a fadiga constitui um problema para as forças russas, enquanto o esforço de guerra ucraniano continua limitado pela falta de efectivos. “Parece que, quatro ou cinco meses depois do início deste ano, é muito mais provável que os russos se esgotem antes de os problemas da Ucrânia atingirem um ponto de ruptura”, declarou Helin à Reuters. Na segunda-feira, o Instituto para o Estudo da Guerra, sediado nos EUA, afirmou que as forças de Kyiv estão agora “a desafiar activamente o carácter posicional da guerra” e poderão em breve ser capazes de lançar ofensivas mecanizadas limitadas.

Quase meio milhão de soldados russos morreram na Ucrânia desde o início da invasão lançada por Vladimir Putin há mais de quatro anos, segundo uma nova estimativa de Anne Keast-Butler, directora da agência britânica de inteligência electrónica GCHQ. Keast-Butler afirmou que a Rússia está “a recuar no campo de batalha” na Ucrânia pela primeira vez desde o final de 2022, escreve Dan Sabbagh. As baixas russas — mortos e feridos — têm sido estimadas pelo Ocidente em cerca de 30 mil por mês durante Abril. Este mês, Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano, afirmou que entre 15 mil e 20 mil desses soldados morrem mensalmente.

O porto de Sebastopol, na Crimeia ocupada pela Rússia, foi atacado por mais de 20 drones ucranianos na madrugada de quarta-feira, tendo a Ucrânia utilizado também mísseis Storm Shadow, segundo o governador da cidade, Mikhail Razvozhayev. Acrescentou que vários edifícios, incluindo um escritório regional do banco central, sofreram danos. 

O Storm Shadow, produzido por França e Reino Unido, é o míssil de cruzeiro de fabrico ocidental mais avançado disponível para a Ucrânia e tem aparecido com maior frequência no campo de batalha. Na segunda-feira, as forças armadas ucranianas afirmaram ter utilizado mísseis Storm Shadow para destruir um posto russo de comando, controlo e comunicações em território controlado pela Rússia na região oriental de Luhansk.

4 comments:

  1. Se... a NATO não tivesse entrado na Ucrânia, se ... se a minha avó não morresse...A imaginação é fértil, sobretudo quanto ao passado. A matança continua

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    1. Quem entrou foram os homenzinhos verdes de Putin, há uma dúzia de anos e há muitos vídeos dessa estratégia soviética que vem desde Estaline. Onde é que a NATO entrou na Ucrânia? Anda a decorar a propaganda de Putin? é um admirador de psicopatas?

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    2. Não tenho a certeza mas talvez eu mesmo seja um psicopata. O que é um psicopata?

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