Recorde-se que os portugueses governaram Ormuz entre 1515 e 1622.
Esta representação dos portugueses em Ormuz, datada de cerca de 1540, mostra-os a comer na água devido ao calor.
A inscrição diz: «Os portugueses de Ormuz que comem na água porque a terra está muito quente»- Fúria Aristocrática
Estou a ler As Lendas da Índia de Gaspar Correia. A nossa História está cheia de homens e mulheres extraordinários, acontecimentos e episódios extraordinários. Porém, conhece-se melhor a História inglesa, americana e francesa do que a nossa própria.
Toda a gente sabe quem são os fundadores dos EUA, todos conhecem o nome de generais, de homens e mulheres notáveis americanos, todos conhecem alguns chefes das primeiras nações, o nome de heróis, conhecem episódios da luta contra os ingleses, da luta dos negros pelos direitos civis, episódios dessa luta e personagens notáveis. Todos conhecem reis e personagens da História inglesa e francesa. Batalhas famosas, episódios menores das grandes guerras, etc. Conhecemos isso tudo porque eles fazem filmes sobre tudo.
No entanto, da nossa História que está cheia de factos, episódios e personagens notáveis, desde a sua fundação, quase nada se sabe ao nível do grande público. Sempre fomos um povo em diáspora e temos muitas pequenas histórias da História de toda essa gente. Não se fala de nada nem de ninguém e a disciplina de História na escola está a desaparecer em nome de uma suposta identidade universal, de cariz comunista (não há heróis, somos todos iguais, ninguém é melhor que outro) e falso a qualquer um que saiba olhar para além do fervor religioso à ideologia, que dificulta o nosso sentimento de pertença e a afirmação dos nossos valores.
Que na batalha de Diu vencemos uma coligação de sultões indianos, otomanos e egípcios, tendo nós 18 navios e eles mais de 100 (Fernão de Magalhães ia num dos navios). Que Afonso de Albuquerque conquistou Ormuz e o seu estreito, tendo 500 homens contra 20.000. Que durante as invasões napoleónicas fomos até Madrid e ficámos com o governo da cidade e o deixámos porque preferimos ir derrotar Napoleão.
Temos histórias de reis, rainhas e gente do povo absolutamente extraordinários e pouco se conhece. Não conhecemos a História distante nem a próxima. Da guerra colonial não se fala, apesar de tantos e tantos estarem vivos e terem histórias para contar - as boas e as más. Da ditadura também não se pode falar que a esquerda não deixa. Como no tempo da ditadura houve o exagero de glorificar conquistas, a seguir a esquerda pôs um rótulo de fascista em toda a nossa História e mandou escondê-la e depreciá-la publicamente como se tudo o que fizemos tivesse sido maligno e envergonhável - entretanto mandou glorificar a História dos fascismos comunistas. Ainda hoje fizeram a figura ridícula de não ir ouvir o Vice-Presidente ucraniano por lealdade a Putin.
Acho triste.
Um povo que não conhece a sua História, não a lembra e não se reconhece nela, não mantém o fio da memória que lhe confere pertença e identidade. Desonrar a História, desonra-nos. É como desonrar a nossa família porque não gostamos desta pessoa ou porque temos ressentimento, real ou imaginário de outra.
(A frase que atribuem (talvez falsamente) a Sócrates, não sou grego nem ateniense, sou um cidadão do mundo, não significa literalmente, não ter mãe, nem pai, nem país, nem cultura, nem identidade e sermos todos iguais. Significa que a um nível fundamental somos todos humanos)


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