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May 06, 2026
Portugal e a Ucrânia são os extremos da Europa Continental
Portugal e a Ucrânia são os baluartes da Europa continental”, diz presidente do Parlamento ucraniano
Presidente do Parlamento ucraniano discursou na Assembleia da República e pediu continuidade do apoio de Portugal.
Presidente do Parlamento ucraniano, Ruslan Stefanchuk, foi recebido por Aguiar-Branco e pelos representantes de todos os partidos à excepção do PCP ANTÓNIO PEDRO SANTOS / LUSA
"Portugal e a Ucrânia são os baluartes da Europa continental. Portugal é o flanco mais ocidental, essencial para a segurança marítima e a ligação ao mundo global. A Ucrânia é a sentinela oriental da Europa, onde começa um abismo mental, existencial e civilizacional, e onde passa hoje a linha do confronto entre a vida e a morte, entre o direito de escolha e a ditadura totalitária", afirmou o presidente do Parlamento ucraniano.
"Ao contrário de outros, que viraram a cara, os portugueses disseram que não há guerra alheia quando se trata de liberdade. A guerra continua. Não é um blockbuster do cinema; é uma maratona sangrenta", apontou Ruslan Stefanchuk, apelando à continuação do apoio de Portugal, apesar das consequências económicas globais. "Sei que todos estão cansados da guerra, da incerteza e dos problemas económicos, mas pensem no soldado que vive nas trincheiras, na terra gelada, que também está cansado, não vê a família há meses, porque sabe que, se desistir, o seu país deixará de existir e a Europa deixará de existir." E vincou: "não temos o direito de nos cansarmos enquanto o mal não for derrotado", citando logo a seguir Fernando Pessoa — "tudo vale a pena se a alma não é pequena".
Stefanchuk realçou que há outra "arma que o Kremlin teme profundamente: o futuro europeu da Ucrânia, que empurra a Rússia para um passado sem esperança", para pedir o apoio para a entrada da Ucrânia na União Europeia (UE). "Pedimos a vossa voz no nosso caminho para a UE, porque a Ucrânia é Europa. E não é apenas geograficamente, mas também mentalmente."
Lembrou o 25 de Abril de 1974 dizendo que Portugal "derrubou as correntes do autoritarismo e escolheu a democracia e a Europa. Mais de 50 anos depois, a Ucrânia segue o vosso caminho." Stefanchuk disse que Portugal poderá abrir as portas à Ucrânia para "o vasto mundo lusófono", lembrou que, muitos anos antes da guerra, Portugal "já era casa para muitos ucranianos". "Esta é uma das nossas diásporas mais activas na Europa", apontou, lembrando os representantes da comunidade que assistiram à sessão nas galerias e que motivou um longo aplauso de pé dos deputados.
Por seu lado, José Pedro Aguiar-Branco, que visitou a região de Butcha há 13 meses acompanhado pelo seu homólogo, salientou que “tudo o que fizermos, ou não fizermos, enquanto europeus, nesta fase, em relação à Ucrânia, terá consequências directas no futuro do próprio projecto europeu”. “A luta do povo ucraniano permanece hoje no cerne do projecto europeu. O que está em causa são os fundamentos desta construção. E, por isso, o que se passa na Ucrânia diz respeito a todos nós, os que defendem os valores da liberdade e da democracia e querem uma ordem internacional baseada em regras, não na chantagem e no uso da força.”
Aguiar-Branco insistiu em que “a força do projecto europeu reside, precisamente, nos ideais que encarna: democracia e liberdade" e é uma "construção de paz e não contra alguém, baseada na ideia de respeito pela integridade territorial, pelo Estado de direito, pela liberdade dos povos se exprimirem e de fazerem as suas escolhas”.
O presidente da AR defendeu que a Ucrânia “não quis esta guerra; não é a agressora, é a agredida”, e que o país “luta pelo seu futuro em liberdade”. “A Ucrânia quer paz, mas sabe que não há paz sem liberdade”, vincou Aguiar-Branco, assinalando que depois de quatro anos de guerra, o povo ucraniano “continua a lutar pela liberdade, a resistir ao sofrimento causado pela violência das armas, à desumanidade do rapto das suas crianças e aos horrores provocados pela política de desinformação com o objectivo de distorcer os factos”.
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