O Ministério Público defendeu esta terça feira um cúmulo jurídico de entre 10 e 11 anos de prisão para Ricardo Salgado e que o cumprimento da pena deverá ser suspenso face à doença de Alzheimer do ex-banqueiro.
Rui Batista sublinhou que “a decisão mais importante que o tribunal terá de tomar tem a ver com a suspensão ou não da execução da pena”, defendendo que o tribunal deverá optar pela suspensão da execução da pena aplicada ao ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES) face ao relatório pericial conhecido na semana passada e que indica que Ricardo Salgado está incapaz de compreender o cumprimento de uma pena de prisão.
"Seria um ato inútil sujeitar a uma pena alguém que não a entende", acrescentou o procurador do Ministério Público.
Expresso
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Salgado vai descansar para casa porque não entende a pena. Essa é boa! Ele não entende mas entendemo-la nós, que somos os injustiçados. Sócrates também não entende que queiram condená-lo. Devemos também
livrá-lo de penas, dado que ele não as percebe? A justiça e a punição devem, ou não, contribuir para uma sociedade justa? Pode uma punição que injustiça as vítimas contribuir para uma sociedade justa? Pode? Ao fim de 10 ou 15 anos ou lá o que é, nós todos pagámos (e ainda pagamos) a subtracção de biliões ao erário público e os prevaricadores estão em casa a gozar dos bens subtraídos.
Vou discordar respeitosamente de si, num ou noutro aspecto. Querer ver o Ricardo Salgado preso quando ele não tem consciência de onde está nem porque está pode ser um exercício de vingança, apenas, para aparentemente apaziguar mentes muito naturalmente indignadas. A prisão das pessoas, presumo eu, não tem por objectivo único o conforto dos ofendidos, mas (também) a punição e recuperação do infractor, algo que seria impossível num homem com aquela doença. Por mais que gostasse de ver o Ricardo Salgado castigado por aquilo que fez, penso que já é tarde. Vê-lo agora na cadeia seria punir, sobretudo, os familiares directos, pela eventual angústia ou preocupação pela qualidade dos cuidados a que (não) seria sujeito. Não é isso que eu quero; e não é isso que se deverá querer.
ReplyDeleteHá uma ironia no meio disto tudo. À pergunta "o Ricardo Salgado vai preso?" a mulher e os filhos dirão "não; felizmente tem Alzheimer..."
Não tem nada que ver com vingança. A punição dos prevaricadores tem que ver com o facto de sermos uma sociedade de seres humanos livres que tem direito a construir uma sociedade onde possam prosseguir os seus projectos de vida. Para que tal seja possível é necessário que a sociedade seja justa e se oriente para a justiça.
DeleteA justiça retributiva aplica penas de punição adequadas aos crimes cometidos e o objectivo é a justiça e não o condenado perceber a pena. Salgado era um ser humano adulto, livre e consciente ao cometer os crimes. Ele é julgado pelos crimes que cometeu e não pela doença que tem.
Se a família sofre ou não com a sua prisão, não entra no assunto, pois a família apoiou-o sempre enquanto roubava e viveu muito satisfeita com os seus roubos.
Condená-lo apenas moralmente e não, de facto, a uma pena jurídica, é uma injustiça que se faz a toda a sociedade que pagou e continua a pagar pelos seus crimes. Ele foi sempre um criminoso sem remorso. Nunca admitiu que tinha culpa, nunca teve compaixão pelas pessoas a quem tudo roubou. Se ele não sabe porque está na cadeia, digam-lhe de cada vez que perguntar.
Já afirmei que acho repugnante pôr na cadeia um moribundo apesar de saber que já houve quem desenterrasse mortos para os enforcar.
ReplyDeleteJá respondi a isso. Ele não está moribundo.
Delete"Se ele não sabe porque está na cadeia, digam-lhe de cada vez que perguntar." Percebe-se bem que não sabe o que é Alzheimer.
ReplyDeleteSei, por acaso sei. Tenho muitas colegas com pais com a doença e acompanho o progresso da doença. Nem toda a gente fica incapacitada imediatamente. Sei que é uma doença que ataca as pessoas de maneira diferente. Há pessoas que funcionam muito bem durante anos e depois então começam a esquecer quem são as pessoas da sua vida adulta e podem passar muitos anos até perderem a memória das palavras.
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