Os outros somos nós
Sílvia Sousa, Expresso
O nosso passado recente tem sido profícuo na demonstração de que algo está, de facto, mudado no nosso país. A ausência de vergonha ou pudor que permitiu normalizar um discurso maniqueísta aparentemente também conferiu um conjunto de direitos a parte da nossa sociedade, entre os quais o de desrespeitar e o de maltratar os “outros”. O facto de forças políticas, eleitas democraticamente, apresentarem um discurso e um comportamento conivente com tal perceção de direitos vem de alguma forma, ainda que erradamente, sugerir que o direito de desrespeitar ou de maltratar os “outros” decorre do nosso sistema democrático ou, simplisticamente, se enquadra na nossa liberdade de expressão.
Paradoxalmente, num país de emigrantes destila-se ódio e preconceito relativamente aos imigrantes, seja de forma mais subtil nas propostas legislativas associadas à nacionalidade, seja de forma despudorada no resguardo de uma esquadra ou descaradamente numa rua ou praça do nosso país, pelo poder político, pelas forças de segurança, pela população em geral.
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Esta professora da Universidade do Minho queixa-se de um discurso maniqueísta contra os imigrantes (assim no geral, como se fossem todos iguais) e apresenta o quê como argumento? O ódio e preconceito relativamente aos imigrantes. Se isto não é um discurso maniqueísta vou ali e já venho.
E a critica ao direito a desrespeitar os outros argumentada com desrespeito aos outros, chamando-lhes pessoas que se reduzem a ódio e a preconceitos? Ou está a escapar-me alguma coisa?
Um àparte - sempre que vejo mais um discurso a favor ou contra os 'imigrantes', assim tomados como uma massa uniforme de coitados, assumo a desonestidade intelectual do articulista, pois entre as massas de imigrantes que deixaram entrar no país, há os que vêm para trabalhar, com intenção de integração e respeito pela nossa cultura, como nós portugueses fomos para outros cantos do mundo; há os que vêm legalmente e os que vêm ilegalmente; há os que vêm para fugir ao fisco nos seus países; há os que vêm para especulação imobiliária com vistos de luxo (esses têm advogados de luxo a defendê-los); há os que vêm para traficar seres humanos; há os que vêm para fugir a mandatos de captura nos seus países; há os que vêm como parte de uma política mais alargada a nível europeu de instabilização e divisão sociais ao serviço de projectos teocráticos islamitas; há os que vêm para engrossar gangs de malfeitores que vão desde ladrões de rua e assaltos a casas até raptos de crianças para redes de pedofilia, etc. Há muito tipo de imigração e falar da imigração como se fosse monolítica e todos fossem vítimas é obviamente populismo maniqueísta e desonestidade intelectual. De modo que o título, 'Os outros somos nós' está bem posto pois os maniqueístas de que fala esta articulista são 'outros' que a incluem a ela mesma.
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