Num futuro próximo haverá um dia para a Ucrânia (e a Europa) celebrarem o fim do imperialismo russo.
----------------Volodymyr Groysman
Mais de oito milhões de ucranianos foram mortos na Segunda Guerra Mundial, e em todas as famílias ucranianas há alguém que lutou contra os nazis, foi morto por eles ou salvou outras pessoas do inimigo.
Também há histórias assim na minha família. Uma delas é sobre a minha avó Roza, que nasceu na Roménia e que a guerra levou primeiro para Chernivtsi e, depois, para outras partes da Ucrânia. Era 1941. Ela tinha 20 anos e fugiu descalça dos nazis.
O inimigo alcançou um grupo de pessoas perto de Khotyn e trancou-as num edifício assustador. Todos os dias, os nazis matavam uma em cada cinco pessoas. Eles vinham e contavam em ordem aleatória — primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto… a quinta era levada para ser fuzilada.
Cada vez que contavam, a minha avó pensava: é agora, agora vou ser a quinta… Mas, de alguma forma, era a primeira, ou a segunda, ou a terceira.
Mais tarde, os prisioneiros foram levados para Vinnytsia, matando pelo caminho aqueles que estavam demasiado fracos para caminhar. A minha avó sobreviveu. Numa das aldeias do distrito de Bar, os residentes locais salvaram-na — esconderam-na e deram-lhe abrigo, arriscando as suas próprias vidas. Numa época em que o medo e a morte reinavam, havia pessoas que não tinham medo de continuar a ser humanas. Foi graças a elas que ela sobreviveu.
Fiquei a saber desta história já adulta — em parte quando vi um testemunho em vídeo da minha avó entre os sobreviventes do Holocausto, gravado por iniciativa da Fundação Shoah, criada por Steven Spielberg, e em parte pelo que os meus pais me contaram. Fiquei chocado, porque a minha avó nunca tinha falado sobre isso…
Naquela altura, acreditávamos que tais horrores nunca mais voltariam a acontecer. Nem sequer queríamos imaginar que o mal pudesse regressar à nossa terra. Que pudesse haver guerra novamente. Que homens e mulheres voltassem a pegar em armas, a apoiar as forças armadas e a defender as suas casas. Que civis — adultos e crianças — fossem mortos. Que cidades ucranianas fossem ocupadas ou reduzidas a ruínas.
Passaram-se oitenta e um anos.
E hoje, no Dia da Memória e da Vitória sobre o nazismo na Segunda Guerra Mundial, não estamos apenas a recordar aqueles que lutaram contra o mal naquela altura — estamos a viver numa época em que temos de enfrentar um novo inimigo.
Os nossos soldados carregam esta luta nos ombros todos os dias. Na sua resiliência, raiva e determinação reside uma grande força que nos dá a confiança de que vamos resistir. E que o que costumávamos ler nos livros de história sobre a expulsão dos nazis da Ucrânia voltará a acontecer na vida real — e se tornará parte da história do século XXI.
Para que possamos viver em paz, em liberdade, sem medo. Para que «nunca mais» signifique verdadeiramente: ninguém. nunca. mais.
Neste Dia da Memória e da Vitória sobre o nazismo, memória eterna a todos os que lutaram contra o mal e gratidão àqueles que defendem a vida hoje.
More than eight million Ukrainians were killed in the World War II, and in every Ukrainian family there is someone who fought the nazis, was killed by them, or saved others from the enemy.
— Volodymyr Groysman (@VGroysman) May 8, 2026
There are such stories in my family too. One of them is about my grandmother Roza, who was… pic.twitter.com/BYdqVG4jbH
A cidade de Chernivtsi era um importante centro cultural judaico na Bukovina. Além disso, o apelido do autor é judaico e as localidades que refere, também eram importantes centros judaicos. Este intróito é para referir que, há uns anos, conheci uma moça ucraniana, de ascendência judaica, que me confessou que gostaria de saber ocorrências da 2ª Grande Guerra, mas que a avó, que a viveu e sentiu, sempre que tentava com ela, falar do assunto, baixava a cabeça, fazia que não ouvira e nada dizia. Recordações, demasiado trágicas, que preferiria que a neta não conhecesse? Actuar de modo a proteger a neta?
ReplyDeletep.s.: os ucranianos estavam muito divididos durante o conflito entre resistentes e colaboradores.
João Moreira
Pois, é a guerra. Um negócio terrível que vai buscar o pior da natureza humana. Não sei o que tem o poder que torna as pessoas loucas e malévolas.
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