April 15, 2026

Não confundir a liberdade política com a prevenção do atrofio do desenvolvimento cognitivo

 

Para os que continuam a confundir a liberdade política com a prevenção do atrofio do desenvolvimento cognitivo:


* Um estudo do MIT demonstra que o uso de uma IA generativa como o ChatGPT reduz o envolvimento cerebral durante tarefas de escrita que implicam o pensamento e a memória.

* Os utilizadores auxiliados pela IA retêm menos o que produzem, um fenómeno que os investigadores designam por «dívida cognitiva».

* Ao delegar constantemente o raciocínio à máquina, o cérebro poderá habituar-se a reduzir o esforço cognitivo, de uma forma permanente, mesmo após deixar a utilização de ferramentas digitais. 
Isto tudo acontece apenas com quatro meses de utilização continuada do ChatGPT. Portanto, a utilização deste tipo de IA tem pesadas consequências na nossa saúde mental, atingindo particularmente aqueles que estão em processo de desenvolvimento cognitivo, nomeadamente as crianças e adolescentes.

Se bem que possa aumentar a produtividade, o seu uso não é anódino.
O ChatGPT tem resposta para tudo -certa ou errada- e é o aliado de 900 milhões de utilizadores em todo o mundo (fonte: Incremys). 

Durante quatro meses, os investigadores observaram 54 participantes encarregados de redigir vários ensaios. Alguns utilizavam inteligência artificial generativa, outros um motor de busca online e um terceiro grupo trabalhava sem quaisquer ferramentas online.

Neste estudo, para avaliar o impacto destas diferentes formas de trabalhar, os investigadores analisaram a actividade cerebral dos participantes através da eletroencefalografia (EEG). Resultado: quanto mais a ferramenta fazia os trabalhos, menos o cérebro se activava. Os participantes que contavam com a ajuda da IA apresentavam os níveis mais baixos de actividade cerebral, muito abaixo dos que escreviam por conta própria.

O mais surpreendente surge no final da experiência. Após várias sessões com o ChatGPT, alguns participantes foram convidados a escrever sem nenhuma ajuda. Seria de esperar que, desligados da IA, o seu cérebro recuperasse o pleno funcionamento perante o exercício, mas a realidade foi bem diferente: a sua actividade cerebral permaneceu mais fraca do que a das pessoas que tinham anteriormente trabalhado sem ajuda. Como se o hábito de delegar o raciocínio na máquina tivesse deixado uma marca. Os investigadores recordam, no entanto, que estes resultados continuam a ser preliminares e, por isso, devem ser interpretados com cautela.

Embora o assistente de IA permita poupar tempo, pode ser benéfico para a nossa saúde cerebral (e para a do planeta, uma vez que a inteligência artificial consome enormes quantidades de água) manter o nosso saber-fazer, a nossa criatividade e o nosso cérebro, continuando a realizar certas tarefas. 

A inteligência artificial tem um nome impróprio: o que ela faz não é pensar, é encadear as palavras mais prováveis uma após a outra para produzir linguagem, mas não produz, nem a reflexão nem o espírito crítico próprios do ser humano. Sempre que puder, resista à tentação de delegar tudo à máquina! (em, psychologies.com)

2 comments:

  1. Eu diria que nem estudos são necessários. Basta pensar um pouco.

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    1. Pois, só que o batalhão de pessoas que continua a dizer que proibir as redes sociais e o uso indiscriminado da IA é censura política é o que tem voz nos jornais e grupos pedagógicos. São esses que estão na orelha do PM e do ME.

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