Nomeadamente o mito de que ser professor é uma vocação interna, um 'chamamento'. Ser professor é uma profissão que requer certas capacidades, muitas das quais se desenvolvem com a experiência. Há muitas razões para se seguir essa carreira e acontece muito que quem foi parar à profissão sem nenhuma vocação interna as desenvolva e aqueles que desde sempre quiseram ser professor e amam a ideia da profissão não tenham nenhum jeito para ela. Calculo que isto deva ser verdade em relação à maioria, se não todas, as profissões. O que importa quando se discute a profissão de professor, não é quem sempre teve esse 'chamamento' interno mas que condições existem para o trabalho de ensinar crianças e adolescentes hoje e, se essas condições são suficientes ou se estão abaixo do suficiente. Estão abaixo e por isso são muito poucos os que querem a profissão. Se a questão importante fosse o 'chamamento' interior, porque é que no passado não muito longínquo havia excesso de candidatos, na ordem das dezenas de milhar e de repente desapareceram todos? Começaram a nascer pessoas sem chamamento interno para a profissão? Não. Havia muitos candidatos porque a profissão, sendo difícil, tinha atractivos que chamavam as pessoas para dentro de si. O chamamento não é interior, é exterior e traduz-se em condições de trabalho e salários adequados. Dizer que tudo se reduz ao 'chamamento' interno do professor é uma maneira dos governos poderem varrer para debaixo do tapete todos os problemas sistémicos da profissão e não terem de resolver coisa alguma.
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