Em primeiro lugar faltam partes do livro importantes para perceber como Heathcliff se transforma naquele ser imensamente cruel, nomeadamente a maldade do irmão de Cathy. Aliás, a própria crueldade de Heathcliff só aparece no filme, na relação com Isabella, a irmã de Linton. Por causa disto ele nunca aparece como perigoso, repleta de rancor e ódio, mas no livro, desde que regressa, sentimos o seu perigo o tempo todo.
Em segundo lugar, e quanto a mim isso é mais importante, entre os dois actores que representam Heathcliff e Cathy não há nenhuma tensão sexual. Ora, essa dinâmica é o que os caracteriza. Eles têm uma relação extremamente obsessiva e física: ele é um homem intenso e violento nas paixões e quere-a, sempre a quis e ela não consegue não querê-lo porque é igual a ele nos sentimentos, apesar de não o querer para marido e pai dos filhos, dada a sua ambição e atracção pela riqueza. Ela quando está com ele anseia pela vida de conforto e quando está com o marido no conforto anseia pela verdade crua dele na liberdade ventosa e agreste da charneca. Ele quase que fica destruído quando a ouve dizer que ficar com ele seria degradar-se e ela fica igualmente destruída quando ele desaparece sem mais nem ontem.
Quando se reencontram a relação deles torna-se uma tensão emocional e sexual permanente e intensa. Há entre eles uma atracção e um afastamento de orgulho simultâneos. Ao mesmo tempo que se agridem por orgulho, corroem-se mutuamente. Essa tensão não se vê no filme a não ser quando estão separados, de maneira que as cenas deles em conjunto, sem essa violência subterrânea é só melosa. Sozinhos nas cenas que têm com outras personagens eles são bons mas juntos parecem ter só um affair como tantos outros. Há mais sentimento e tensão entre eles nas entrevistas que deram para promover o filme que no próprio filme.
Gostei muito da música que imita os uivos do vento da charneca.
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