February 09, 2026

Aqui está um exemplo da falha do Estado aos cidadãos de que fala Adalberto Fernandes

 


"Preocupado", Presidente promulga alterações no acesso ao ensino superior
DN

Marcelo está preocupado com "alguns efeitos do entendimento de instituições do ensino superior no sentido minimalista e facilitista", lê-se no comunicado da promulgação.

[segundo o executivo] o aumento do número mínimo de provas de ingresso provocou uma redução do número de estudantes que acederam ao ensino superior no presente ano letivo. O objetivo é “reforçar a flexibilidade do sistema de acesso” e “contribuir para o aumento da qualificação da população, em linha com a meta de ultrapassar os 50 % de diplomados entre os 25 e os 34 anos até 2030”.

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O governo quer melhorar a formação dos portugueses? Quer jovens mais bem preparados para uma cidadania plena e construtiva e para uma força de trabalho forte? Não. O próprio executivo confessa que o que lhe interessa é a meta de ultrapassar os 50 % de diplomados entre os 25 e os 34 anos até 2030” - ou seja, quer um aumento artificial de diplomados num muito curto espaço de tempo, três anos e meio.

É possível, em três anos e meio, transformar uma população em degradação de qualidade educativa numa população excelente? Não. Na educação tudo leva muito tempo a construir. Seria melhor para as populações e para o país apostar na qualidade da educação a médio e longo prazo? Sim. Isso foi feito no início dos anos 90 do século passado e resultou numa real mobilidade social e numa preparação competente da nossa força de trabalho, que aliás está a ser aproveitada por outros países.

Acontece que o governo, como outros antes dele, é eleitoralista e cobarde. Quer votos imediatos e fáceis e não quer a responsabilidade que vem com o poder. Então, em vez de apostar na qualidade da educação, aposta na fraude encapotada que consiste em anular os critérios que possam ser obstáculo à certificação de pessoas que de outro modo talvez nem acabassem o secundário.

Como diz Adalberto Fernandes no artigo do post anterior, Erros graves em domínios como a saúde, a educação, a justiça e a segurança coletiva têm impactos profundos na vida das pessoas.

Portanto temos aqui um caso perfeito de como o Estado está a falhar aos cidadãos: o sacrifício de uma formação de jovens com qualidade e consequente às metas partidárias com vista ao voto imediato e à manutenção do poder.

O Presidente da República, ele mesmo um professor, sabe-o perfeitamente mas o que faz? Defende os portugueses? Defende os interesses dos estudantes e do país futuro (que não são ir para a universidade só porque sim)? Defende essa massa de gente certificada artificialmente com um diploma que não serve para nada porque corresponde a um fogo-fátuo? Não. Aprova o facilitismo, o populismo e a desresponsabilização da educação e deixa andar.

E é assim que o Estado falha aos cidadãos.

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