"Preocupado", Presidente promulga alterações no acesso ao ensino superiorDN
Marcelo está preocupado com "alguns efeitos do entendimento de instituições do ensino superior no sentido minimalista e facilitista", lê-se no comunicado da promulgação.[segundo o executivo] o aumento do número mínimo de provas de ingresso provocou uma redução do número de estudantes que acederam ao ensino superior no presente ano letivo. O objetivo é “reforçar a flexibilidade do sistema de acesso” e “contribuir para o aumento da qualificação da população, em linha com a meta de ultrapassar os 50 % de diplomados entre os 25 e os 34 anos até 2030”.
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O governo quer melhorar a formação dos portugueses? Quer jovens mais bem preparados para uma cidadania plena e construtiva e para uma força de trabalho forte? Não. O próprio executivo confessa que o que lhe interessa é a meta de ultrapassar os 50 % de diplomados entre os 25 e os 34 anos até 2030” - ou seja, quer um aumento artificial de diplomados num muito curto espaço de tempo, três anos e meio.
É possível, em três anos e meio, transformar uma população em degradação de qualidade educativa numa população excelente? Não. Na educação tudo leva muito tempo a construir. Seria melhor para as populações e para o país apostar na qualidade da educação a médio e longo prazo? Sim. Isso foi feito no início dos anos 90 do século passado e resultou numa real mobilidade social e numa preparação competente da nossa força de trabalho, que aliás está a ser aproveitada por outros países.
Acontece que o governo, como outros antes dele, é eleitoralista e cobarde. Quer votos imediatos e fáceis e não quer a responsabilidade que vem com o poder. Então, em vez de apostar na qualidade da educação, aposta na fraude encapotada que consiste em anular os critérios que possam ser obstáculo à certificação de pessoas que de outro modo talvez nem acabassem o secundário.
Como diz Adalberto Fernandes no artigo do post anterior, Erros graves em domínios como a saúde, a educação, a justiça e a segurança coletiva têm impactos profundos na vida das pessoas.
Portanto temos aqui um caso perfeito de como o Estado está a falhar aos cidadãos: o sacrifício de uma formação de jovens com qualidade e consequente às metas partidárias com vista ao voto imediato e à manutenção do poder.
O Presidente da República, ele mesmo um professor, sabe-o perfeitamente mas o que faz? Defende os portugueses? Defende os interesses dos estudantes e do país futuro (que não são ir para a universidade só porque sim)? Defende essa massa de gente certificada artificialmente com um diploma que não serve para nada porque corresponde a um fogo-fátuo? Não. Aprova o facilitismo, o populismo e a desresponsabilização da educação e deixa andar.
E é assim que o Estado falha aos cidadãos.
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