February 07, 2026

A ameaça da ideologia islâmica na França




O artigo de síntese de Jean Chichizola (@Le_Figaro) descreve a situação tal como os serviços de inteligência a veem.

Não se trata mais apenas de um risco terrorista pontual, mas da instalação progressiva de um islamismo social e político no território francês, organizado em ecossistemas locais: mesquitas, escolas, associações culturais ou de caridade, actividades de ajuda mútua e acompanhamento de jovens, etc.

O movimento frérista [Irmandade Muçulmana] desempenha um papel central, não pela violência, mas por uma estratégia de influência e infiltração nas instituições comuns, a fim de fazer evoluir as normas sociais num sentido religioso.

Os serviços de informação observam que o salafismo está a desenvolver-se, muitas vezes mais visível nas práticas, mas menos estruturado politicamente, enquanto o jihadismo muda de forma: a nova geração, radicalizada online, age de forma mais difusa, rápida e local, sem passar necessariamente por redes externas, como na década de 2010. 

As contestações da laicidade (recusa de ensino, pressões sociais, exigências religiosas, etc.) são diárias.

Por fim, os serviços salientam que estas dinâmicas se inscrevem em redes ideológicas e organizacionais transnacionais que ligam os actores locais a centros situados fora do território. A situação descrita corresponde, assim, menos a uma radicalidade isolada do que a um fenómeno estruturado e ligado a recursos externos.

Fonte do artigo: Comissão de inquérito «sobre os movimentos que defendem representações de movimentos políticos e organizações e redes que apoiam a acção terrorista ou propagam a ideologia islâmica».

Por que é importante?

Porque o que o artigo descreve não é apenas uma questão de segurança, mas um modo de transformação social.

1-O fenómeno não é principalmente violento. Quando se trata de terrorismo, o Estado sabe agir: polícia, justiça, serviços secretos. Aqui, trata-se de uma acção legal, quotidiana, difusa e, portanto, muito mais difícil de tratar juridicamente sem pôr em causa as liberdades.

2-Além disso, a lógica é cumulativa. Cada caso isolado parece menor, mas a soma produz uma mudança nas regras implícitas: diversidade, neutralidade, autoridade da escola, igualdade entre homens e mulheres. O problema não é o evento pontual, mas a evolução do quadro comum.

3-A conexão com redes ideológicas externas significa que não se trata apenas de um fenómeno local de integração ou marginalidade social.

O desafio é democrático: uma sociedade liberal baseia-se em regras comuns mínimas que permitem a coexistência das diferenças. Se normas concorrentes se instalam de forma duradoura em certos espaços sociais, não se trata mais apenas de um conflito cultural, mas de uma fragmentação do direito e da autoridade pública.

Em outras palavras: a importância do assunto tem menos a ver com a violência imediata do que com a possibilidade de uma mudança lenta no funcionamento da sociedade.

Tudo isso é explicado em Le Frérisme et ses réseaux (Odile Jacob 2023).
https://bergeaud.blackler.eu

Ouvidos numa recente comissão de inquérito, os responsáveis dos serviços de informações salientaram a influência da ideologia islamista em todas as suas formas e o risco que ela representa para a democracia.
→https://l.lefigaro.fr/J8Tj

 

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