January 14, 2026

Uma denúncia numa rede social de assédio sexual sobre um candidato a Presidente



Deixa-me raciocinar sobre esta questão porque Cotrim é justamente o candidato em quem pensei votar.

Então, uma mulher que trabalhou com Cotrim na IL publicou numa rede social o seguinte, referindo-se a ele:
"Nunca vou esquecer as várias vezes em que bloqueei quando me disse 'Excelente trabalho, só falta abrires as pernas comigo', 'De que tipo de homens gostas?', 'Mais grossa ou mais comprida?'", lia-se na mensagem, entretanto apagada.
Isto são coisas que se podem dizer a um parceiro sexual mas fora dessa relação são muito ordinárias e constituem obviamente um abuso e assédio.

Não sei se isto é verdade ou mentira.  Por um lado, parece-me que há má intenção dela ao lançar esta denúncia a meia-dúzia de dias da eleição. Quando vamos ver quem é esta mulher, lemos que:
Inês Bichão é mestre em Direito Administrativo pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa e doutoranda em Ciências Jurídico-Políticas, especialização em Direito da União Europeia, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (em curso desde 2022). Premiada com o galardão Jacques Delors em Direito da União Europeia em 2024, a consultora e adjunta do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas publicou obras como O ato administrativo desconforme ao Direito da União Europeia e, em maio deste ano, O Lóbi como um Desafio Constitucional Multinível - O elefante na sala dos poderes públicos?
Foi advogada, assessora parlamentar na Assembleia da República em 2022 e 2023 e, em 2025, técnica especialista no Gabinete do Secretário de Estado do Ambiente do XXIV Governo Constitucional, tendo recebido louvor publicado em Diário da República pelo então secretário de Estado, Emídio Sousa. Agora, Inês Bichão prossegue como adjunta deste mesmo responsável mas agora na pasta das Comunidades Portuguesas. jn.pt
Portanto, não é uma advogada qualquer, é uma advogada com muita formação académica, com especializações, prémios e louvores e experiência no meio político. Não é possível que não saiba as consequências de lançar para o ar estas 'bocas' numa rede social, o tempo suficiente para serem vistas antes de as apagar. Quis causar dano de uma maneira que torne difícil esclarecer a questão antes do dia da eleição, dado estarmos em cima dela. E causou. 
Veio logo a Ana Sá Lopes, uma pessoa hipócrita e intelectualmente desonesta que apoia com o seu silêncio cúmplice as atrocidades dos islamitas sobre as mulheres, no mundo inteiro, ampliar a questão no Público, dando como certo que Cotrim é um abusador sexual. Veja-se abaixo os termos em que comenta o assunto:
A meio da tarde, soube-se que uma antiga assessora da Iniciativa Liberal, hoje assessora do Governo, o acusou de assédio sexual, numa página restrita de Instagram. Cotrim disse que a acusação é falsa e disse que vai pôr uma queixa por difamação em tribunal contra a ex-assessora.
Quem estuda estes processos de assédio sexual sabe que é muito difícil a queixa das vítimas. E esta queixa da alegada vítima nem foi pública – aconteceu num grupo restrito no Instagram.
Subitamente, um problema grave como o assédio sexual foi considerado uma arma de arremesso político. Ou seja, segundo Cotrim e apoiantes, terá sido o PSD (que apoia Marques Mendes) a “obrigar” a agora assessora do Governo a contar uma história penosa num grupo restrito para fazer “campanha suja”.
Cotrim, em sua defesa, disse: “Há política, há política suja, e depois há isto. É absolutamente inadmissível. Não percebo como em Portugal há gente que consegue fazer política desta maneira”. O candidato da Iniciativa Liberal nega aquilo de que é acusado. Mas passem os olhos pelas redes sociais: a culpada é a alegada vítima. É sempre assim.
Em Portugal, não há vítimas de assédio sexual nem de violência doméstica. Só se forem da classe trabalhadora – nas classes altas não se passa nada. Há agora o caso Boaventura, mesmo assim com imenso apoio entre os seus pares. A palavra das mulheres quando se dizem vítimas nunca tem valor. Há 20 anos, passava-se o mesmo com as vítimas de abuso sexual de menores.
Cotrim perde votos com esta acusação, mesmo se fosse verdadeira? Em Portugal, não. Ana Sá Lopes in 
publico

Ana Sá Lopes não diz explicitamente que ele é um abusador sexual, mas em todas as linhas o diz implicitamente.

A questão é que a advogada que faz a denúncia, apesar de poder tê-la feito nesta altura para prejudicar Cotrim nas eleições, o que me parece óbvio, pode estar a falar verdade. Aliás pode ter feito a denúncia nesta altura, justamente como vingança. Por outro lado, pode estar a mentir. Com certeza sabia que ele iria pôr-lhe um processo e com certeza aconselhou-se com outros advogados ou políticos, dado que se movimenta muito bem nesse meio.

Ora, isso é algo que só poderemos saber em tribunal. Talvez...

Estou dividida entre querer que a advogada não esteja a mentir, porque sabemos que os casos em que se acusa falsamente alguém, apesar de serem na ordem dos 2%, ou menos, acontecem e, de cada vez que acontecem fazem regredir os direitos das mulheres mais de cem anos. Neste caso, sendo a advogada uma figura pública, seria ainda pior; por outro lado prefiro que não seja verdade que um político candidato a Presidente e em quem pensei votar e que me parece ser uma pessoa séria, afinal seja uma pessoa capaz de assediar colegas mais novas da maneira tão inequívoca que ela refere.

Espero que esta questão seja esclarecida e que a pessoa responsável, seja por uma situação, seja por outra, seja efectivamente responsabilizada.


8 comments:

  1. Também espero que aconteça o que propõe no último parágrafo. Sou a favor das mulheres, nunca a favor das oportunistas e da manobra ignóbil. Porque uma coisa é a instrução e a inteligência pessoal e outra a ética e a moralidade; não têm de ser directamente proporcionais. E desconfio sempre de quem aparece de repente a queixar-se de assédio que já foi, e se traz para a frente no momento em que dá mais jeito. Que razão pode existir para a senhora não ter apresentado queixa antes?
    Vamos dar-lhe o benefício da dúvida e que se esclareça o assunto. Mas talvez prejudique Cotrim. Votando ou não nele, a verdade merece ser divulgada, um dos dois mente.
    De qualquer forma, a serem verdade, penso que expor ao mundo frases textuais como essas é uma falta de ética. Apresentá-las nos lugares devidos é um dever cívico e um direito de quem foi lesado na sua dignidade, seja homem ou mulher.

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    1. Não sei as razões dela. Há muitas razões para as pessoas não serem capazes de denunciar na altura em que as situações acontecem e a vergonha é a maior delas. Mas não sei qual é o caso dela. Se o que ela diz é verdade, tanto faz que o diga à segunda como à terça. Se não é verdade, ter dito à terça é malícia.

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  2. Nenhum de nós sabe o que se passou. Por um lado, custa sempre acreditar que alguém possa vir acusar outrem desta forma sem ser verdade, mas a realidade é que cada pessoa é capaz de coisas "menos bonitas". Por outro lado, publicar uma coisa destas num universo fechado é uma cobardia. Além disso, equivale a manchar a reputação do visado, pois, mesmo que seja mentira e se prove, há sempre gente que vai desacreditar. Aparecer a quatro ou cinco dias das eleições é outro pormaior.
    Seja como for, se estiver inocente, Cotrim não tem outra solução: avançar para tribunal.

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    1. Pois, custa acreditar, sim, que se acuse sem ser verdade, porque se for esse o caso é muito insidioso.

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  3. As mulheres são iguais aos homens: tanto mentem elas como eles. Não se pode partir do princípio de que uma mulher não mente e o mesmo digo a respeito dos homens. Logo só em tribunal se pode derimir e quem acusa tem de provar a acusação. Defendo ao princípio da presunção da inocência.
    Para mim é simples: os dois são inocentes (Bichão e Cotrim) até prova em contrário. Por consequência a influência no meu voto é zero.

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    1. Isso que diz não corresponde aos factos. São menos de 2% as mulheres que acusam falsamente homens de abuso sexual. Praticamente todos os homens mentem quando são acusados de abuso sexual. Negam. Mas só em menos de 2% dos casos estão a dizer a verdade. É claro que não sei qual é aqui a situação, acerca de quem estará a falar verdade. Porém, não entendo que sejam ambos inocentes, já que se contradizem um ao outro. Portanto um deles está a falar verdade e o outro não.

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  4. "São menos de 2% as mulheres que acusam falsamente homens de abuso sexual......". Fez uma sondagem? Conheço sondagens que dizem o contrário.
    E continuo com a minha presunção da inocência até prova em contrário. A influência do "diz-se, diz-se" no meu voto continua zero.

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    1. São números internacionais sólidos e não contestados: na Europa são entre 2% a 4%. E sabemos que os casos de acusação constituem uma minoria dos casos de assédio e abuso sexual. A maioria dos homens escapa impune sem sequer alguma vez serem acusados.
      Não estou a dizer que não devam ser ambos considerados inocentes até prova em contrário. O que estou a dizer é que, dado que se contradizem mutuamente, não podem, logicamente, estar ambos a falar verdade. Seria uma violação do princípio de contradição.

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