January 07, 2026

Sr. ministro da educação, o ministério é seu - chegue-se à frente

 


Educação. Falta de acordo entre sindicatos e ministério deixa 2.º período ameaçado por protestos

Fenprof apresenta contraproposta do Estatuto da Carreira Docente ao MECI. Se não for ao encontro de algumas exigências, avança "grande iniciativa de professores”. Diretores temem greves.
DN
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Não há professores. Não precisamos de 30 novas instituições e organismos a crescer no ME -por muito que perceba que precisem de cargos para encaixar amigos e correligionários-, precisamos é de professores e de técnicos especializados. 

Quanto mais aumentam as exigências à profissão, de tal maneira que descrevem as nossas funções como uma espécie de magia, pois é-nos exigido que mudemos o comportamento de alunos delinquentes para seres afáveis, que punhamos a aprender com entusiasmo alunos que não sabem ler nem escrever, que resolvamos os problemas do foro psicológico ou até psiquiátrico dos alunos -só falta o ME mudar o nome para ministério da magia- mais diminuem as exigências para contratar professores. 

Já agora acontece irem buscar para ensinar biologia ao 9º ano, por exemplo, alguém que não conseguiu acabar o secundário no ensino regular e foi para um curso profissional que nada tem que ver com biologia e a quem o coordenador do grupo de biologia tem que explicar o que é um ecossistema e outros conceitos que fazem parte da sua próxima aula. Antes de cada aula o professor tem ele mesmo uma aula sobre a aula que vai dar. Outro, tem de ser ensinado a fazer um teste e ele mesmo tem o seu teste corrigido antes de o aplicar aos alunos e depois de o aplicar precisa que o colega o corrija consigo porque não sabe fazê-lo. Outro pede, na reunião de avaliação ou outra qualquer em que lhe calhou fazer a acta, para que seja outra pessoa a fazê-la porque não 'tem jeito' para escrever.

Enfim, estamos nisto e a solução não pode ser, merdificar ainda mais a carreira ao ponto de só arranjaram gente desta. Neste momento, os professores que estão na carreira e andam pelos 45 anos são pessoas que entraram na carreira quando era difícil entrar e só entravam pessoas com muitas qualificações. Porém, essas não são a maioria. A maioria são as pessoas da minha idade que se reformam daqui a uns poucos anos e cada ano que passa temos menos uns milhares de professores.

É preciso dizer que desde o final dos anos 80 até a início do século XXI houve uma grande valorização da carreira dos professores. Não que se ganhasse muito dinheiro, isso nunca aconteceu, mas melhoraram muito as condições de trabalho e alguns benefícios. Foi isso que atraiu muita gente de qualidade e formação sólida durante uns 25 anos. 

Desde então foi sempre a destruir. Primeiro veio a desinteligência abroncada da Rodrigues, depois a cavalgadurice de PPC, depois os me first, Costacenteno. Também os pais tentaram de todas as maneiras destruir professores. Nas escolas onde aparecem para fazer bullying a professores (é o legado da Rodrigues) e na Associação de Pais que deveria chamar-se Associação Idiota do Ódio a Professores. E finalmente os professores universitários, esses especialistas em não-pedagogia, que se vingavam das suas frustrações dizendo mal de professores. Entre estes todos destruíram a carreira.

Portanto, sr. ministro da educação, o ministério é seu - chegue-se à frente.
Os professores são professores porque gostam de ensinar. Aproveite-nos essa característica e vá buscar pessoas sérias com formação séria que gostem de ensinar. Vá buscar técnicos que queiram trabalhar com crianças e adolescentes - quando percebemos um aluno com problemas psicológicos, quem o pode ajudar é um psicólogo e quando um aluno tem falhas nos conhecimentos porque não teve professores no ano anterior, precisa de explicações, ou seja, são precisos professores para dar explicações a alunos fora das aulas. Valorize a carreira e a própria educação. Acabe com a certificação de alunos via a burocrartização e chantagem a professores.

O país depende da educação. Que tipo de país seremos sem uma educação de qualidade? Ou já assumiram que os pobrezinhos são certificados e os endinheirados são instruídos como deve ser, numa divisão de classes profunda ao modo do século XIX e princípio do século XX? São esses os ideais de Abril?

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