January 29, 2026

Enviesamentos

 

Quarta-feira, enquanto os alunos faziam teste aproveitei para ler este livrinho de Alexandre Koyré, Réflexions Sur Le Mensonge.

Alexandre Koyré foi um filósofo da ciência bastante importante. Um judeu nascido na Ucrânia no final do séc.XIX que teve uma vida itinerante pela Rússia, Alemanha, França, Egipto e EUA.

Formou-se em França e na Alemanha. Na Primeira Grande Guerra lutou na Rússia, diz-que como espião ao serviço de França. Esteve na Alemanha até ter que fugir do nazismo. Deu aulas na universidade do Cairo, depois voltou a França, foi para os EUA, onde conheceu Arendt e outros exilados, mas vinha frequentemente a França, onde morreu, em 1964.

Enfim, este livrinho de 50 páginas versa sobre a mentira. Em particular a mentira de Estado. A manipulação, a propaganda, o populismo. Estabelece a diferença entre a mentira na democracia e no Estado totalitário. Dá muitos exemplos de Hitler. Fala de regimes totalitários e de como se usam da mentira. Faz uma antropologia da mentira. 

O que me chamou a atenção foi ele não ter, nem uma única vez, referido o caso de Estaline e da URSS. Será que ele não o totalitarismo soviético? Com certeza que vê. Será que vê mas sendo judeu e tendo vivido a situação de ter de fugir da Alemanha e da França está preso a esse modelo de totalitarismo?

Como se explica este enviesamento por parte de alguém que tão bem conhece os sintomas do totalitarismo?

O factor ambiente pesa muito no enviesamento que por sua vez pesa muito no factor, «inteligência» enquanto capacidade de ver mais longe.

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