Agentes algemam mulher como num crucifixo, obrigam imigrante a beijar-lhes as botas e violam vítimas com bastões
Expresso
'Maria' tinha ingerido bebidas alcoólicas numa esplanada e desentendeu-se com a dona da cervejaria, na noite de 9 de maio de 2024. Pouco tempo depois, estava algemada a um banco na esquadra do Rato, em Lisboa, de braços abertos como se estivesse presa num crucifixo. O Ministério Público suspeita que foi esbofeteada e ameaçada por um agente: "Ou te calas, ou vais ver...".
Na madrugada de 20 de julho do mesmo ano, um imigrante africano foi apanhado com haxixe no Martim Moniz, em Lisboa, por dois agentes. Na mesma esquadra, foi esmurrado na cara, na cabeça e no estômago, sendo também ameaçado e agredido com uma arma de fogo na cabeça. O MP suspeita ainda que um dos dois agentes agora acusados de tortura e violação tenha acrescentado comprimidos de ecstasy ao haxixe apreendido para deter o imigrante por tráfico de droga. O agente fotografou o africano que tinha sido algemado e partilhou a imagem num grupo de WhatsApp composto por polícias: "Há de levar no focinho para não aprender a se esticar", foi um dos comentários.
Na madrugada de 30 de agosto, quatro agentes detiveram um homem com uma faca com 12 cm de lâmina. Na esquadra do Bairro Alto, foi algemado e alvo de socos e pontapés em todo o corpo e ameaçado com uma pistola na cabeça. Segundo o MP, um dos agentes cortou-lhe as rastas do cabelo com a faca apreendida e deitou-as para o lixo, tendo o momento sido filmado com um telemóvel. Um dos polícias acusados ameaçou-o: "Vamos matar-te!". No grupo de WhatsApp, mais comentários de polícias: "Foi pena não ter morrido esse paneleiro" ou "Eu metia o gajo no Tejo".
Na mesma noite, mas na esquadra do Rato, um imigrante marroquino foi igualmente alvo de violência física com um bastão extensível. A determinado momento, um dos polícias sob suspeita terá tentado introduzi-lo no ânus. Só a intervenção de um superior hierárquico fez parar a tentativa de violação.
Durante as agressões, terão obrigado a vítima a beijar as botas de serviço, enquanto o marroquino chorava. "Beija, kiss, kiss, kiss, c...." ou "Welcome to Portugal." O momento foi filmado e partilhado num grupo de WhatsApp de polícias.
O Ministério Público suspeita que este imigrante marroquino tenha sido espancado na esquadra durante 3 a 4 horas. Foi encontrado na rua por populares depois de sangrar e perder os sentidos. Ainda durante 2024, o mesmo agente sob suspeita terá voltado a agredir o mesmo imigrante que ficou com uma lesão ocular que lhe retirou uma parte da capacidade de visão.
A vítima nunca apresentou queixa destas agressões por não acreditar que viessem a acreditar em si, por ser imigrante e ter problemas de toxicodependência.
(...)
Os dois agentes da PSP sob suspeita trabalhavam na esquadra do Rato e estão em prisão preventiva desde julho do ano passado, altura em que foram detidos no âmbito desta investigação.
O Expresso revelou nessa altura que estes dois jovens agentes em início de carreira foram detidos numa operação liderada por procuradores do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa que realizaram buscas em várias esquadras da PSP, entre elas a do Rato e a do Bairro Alto, e também em casa dos polícias.
Os dois agentes da PSP sob suspeita trabalhavam na esquadra do Rato e estão em prisão preventiva desde julho do ano passado, altura em que foram detidos no âmbito desta investigação.
O Expresso revelou nessa altura que estes dois jovens agentes em início de carreira foram detidos numa operação liderada por procuradores do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa que realizaram buscas em várias esquadras da PSP, entre elas a do Rato e a do Bairro Alto, e também em casa dos polícias.
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