Não a crença num Deus, num qualquer ser superior, mas a religião organizada pelos homens.
Ontem li a opinião de um psicólogo que dizia que o patriarcado é um tipo de educação que se dá aos rapazes e que resulta em eles não gostarem das raparigas e mais tarde das mulheres e nem sequer as verem como humanas ao seu nível.
Diz ele que os rapazes são educados, não para serem rapazes mas sim para não serem raparigas: não chores que isso é coisa de raparigas, não corras assim como as raparigas; jogas como as raparigas; dás murros como uma rapariga; comes como uma rapariga; pegas na raquete como uma rapariga; falas como uma rapariga; os rapazes não andam de braço dado como as raparigas; vão à casa-de-banho juntos como as raparigas?; olha o tempo que gasta a pentear-te como se fosses uma rapariga; vais estudar humanidades? Isso é para raparigas; vê lá se escolhes um desporto de homem e não de raparigas que é uma vergonha; não sejas emocional que isso é coisa de raparigas (apesar de serem os homens quem tem explosões e impulsos emocionais e mata mulheres, bate em mulheres, viola mulheres) Etc.
A educação dos rapazes por esse mundo fora, consiste, em grande parte em ensiná-los que ser rapariga é inferior, menor, desprezível e eles devem evitar ao máximo ser como elas. Diz-se que os rapazes têm hoje-em-dia uma crise de identidade. Pois, eles são educados para terem uma identidade negativa: devem, 'não ser'. Depois ocupam o vazio com os instintos e emoções descontroladas.
De onde vêm estas ideias? Da religião. O judeu homem começa o dia dizendo, 'obrigado Senhor por não me teres feito uma rapariga'.
O livro da religião judaica, que foi depois copiada pela cristã e mais tarde copiada pela islamita, funda-se em óbvias falsidades que hoje chamamos misóginas:
1. Apesar de ser óbvio que são as mulheres que geram vida, os homens decidiram que o criador da vida é um pai-homem (já estariam a antecipar os trans?);
2. Deus-pai-homem, apesar de ter criado pares de animais por todo o lado, quando chegou ao homem criou-o sozinho como um ser que se basta a si mesmo; depois achou que ele queria companhia e do corpo dele fez uma mulher, apesar do óbvio ululante mostrar que é do corpo das mulheres que nascem tanto os homens como as mulheres (aliás, se Deus fez o homem para ficar sozinho para que lhe fez orgãos sexuais? Ou era já a pensar que eles copulassem uns com os outros, sendo gays? Ou a pensar que copulassem com as ovelhas e outros animais...?)
3. Deus obriga as mulheres a terem filhos no meio de imensas dores como castigo de terem tido a ousadia de procurar ter conhecimento e consciência da sua humanidade (e partilhá-la com o homem, influenciando-o a ser consciente) em vez de ficar eternamente limitada ao instinto animal.
Daí para a frente, os livros dos homens da religião vão sempre a piorar para as mulheres. Qualquer pessoa com o mínimo de objectividade que não esteja atolado e alienado numa educação e desenvolvimento anti-mulheres reconhece que a religião educa mal os rapazes. Educa-os para não gostarem das mulheres e inferiorizarem as mulheres e acaba sendo uma enorme violência para as mulheres e, sendo-o para as mulheres, é também para toda a humanidade.
Porque é que os rapazes estão a voltar para a religião? Porque as mulheres se libertaram dela e da sua violência imposta e já não aceitam um homem como o grunho do vídeo do post anterior. Vemos hoje no Irão as raparigas e mulheres darem a vida pela liberdade de poderem ser seres humano inteiros libertos dos grilhões da escravidão machista da religião. Porém, a religião, sendo machista, também grilha os homens a uma auto-castração de possibilidades de humanidade, vendidas ao controlo e ao poder desenfreado.
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