December 30, 2025

Uma visita ao palácio do Marquês de Fronteira

 


Hoje foi o dia. Já andava para ir lá há uns anos. 

Apesar de, no interior, só termos acesso a 4 salas mais a biblioteca, dado a família habitar o palácio, o que vimos valeu muito a pena. 


Tirando o museu do azulejo, nenhuma casa, museu, igreja ou o que for tem tanto azulejos como esta casa e jardins. 

Não é por acaso. Esta era a casa de Verão da família e à época ficava no campo -nem sequer era arredores de Lisboa- numa zona cheia de água (está pegado a Monsanto) de maneira que está construída com materiais frescos, no interior -pedra, mármores, azulejos- e no exterior, nos jardins, com umas dezenas de fontes, grutas ao estilo italiano (grotto) onde a temperatura está 10 graus abaixo da que ocorre no exterior. Hoje estava gelada.

Depois do terramoto de 1755, como a casa da cidade da família ficou completamente destruída e perderam tudo o que lá tinham, que era a maior parte da riqueza, vieram viver para esta casa de campo. 

Construíram uma ala nova para albergar toda a família (cerca de vinte pessoas) mais os serviçais (perto de sessenta). Essa parte não é visitável.

Enfim, a casa está toda revestida de azulejos, a maioria portugueses mas alguns holandeses de Delft, da época de ouro holandesa, com desenhos lindos, muito mais refinados que os portugueses. Os portugueses, no entanto, têm muito encanto. 

A sala das batalhas, onde se fazem eventos (o espaço é alugável) tem painéis a toda a volta com azulejos portugueses com desenhos das principais batalhas da nossa história, um bocadinho toscos, quase infantis, mas cheios de pormenores com significado, por exemplo, os portugueses aparecem sempre como heróis - um português luta sozinho contra 20 espanhóis. D. João de Mascarenhas, o primeiro Marquês de Fronteira, aparece como grande herói, que o foi.

A casa está cheia de objectos da história portuguesa porque esta é uma família importante. São descendentes de D. Francisco de Almeida, 1º Vice-Rei da Índia, têm entre os seus membros governadores do Brasil, do Ceilão, etc., de maneira que a casa tem pequenas colecções de objectos de todas as partes do mundo.

Têm um El Grecco, porcelanas chinesas Ming importantes, uma colecção de contadores hindo-portugueses, dois pendentes com o brasão dos Távoras (com quem foram aparentados), muito raros dado o Marquês de Pombal ter mandado destruir tudo o que tivesse pertencido aos Távoras para que deles não restasse, nem a memória. E têm muitas outras coisas.

A biblioteca, pequena mas preciosa tem os livros mais antigos -com 400 anos ou mais- em muito mau estado a precisar de restauração urgente.
Os jardins podem visitar-se sem guia e hei-de lá voltar na primavera ou verão quando tudo estiver florido porque tem roseirais, caramanchões com glicínias suspensas e muitas outras flores e árvores de fruto como laranjeiras que agora estão despidas de folha e flores. No Verão deve ser espctacular - fresco, colorido e aromático.

Agora tinha musgos, o que também gosto e cheirava imenso a louro.

Uma coisa que não sabia é que organizam lá concertos de música clássica e que muitos até são gratuitos. Já lá deixei o email para ter notícias desses concertos.

Anda-se por ali e imagina-se muito facilmente as senhoras com aqueles vestidos imponentes ladeadas por senhores com sedas e rendas, nas noites quentes de Verão,  a passear por entre as fontes, à sombra das glicínias com o aroma dos roseiras.

Gostei muito. Não é um palácio imponente ou grandioso mas é mimoso com as suas grandes vidraças e os jardins românticos e encantadores.

(não se pode tirar fotografias no interior, só nos jardins)


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