October 20, 2025

Oscilo entre a tristeza e a irritação

 

Nestes últimos dois dias tenho visto muitos artigos de homens -alguns em blogues de educação, o que me faz pensar sobre o tipo de educação que defendem- a invocar a irrelevância do problema das burkas num país com mais problemas para resolver. Pior ainda é ter já lido artigos de mulheres a defender que os direitos das mulheres, se afectam poucas, são irrelevantes e que há outros assuntos mais importantes.

Oscilo entre a tristeza de ver mulheres a defender as burkas, um vestuário religioso de extrema misoginia e imposição de servidão que apaga as mulheres do espaço público e a irritação de ver estas mulheres pseudo-vanguardistas a lutarem contra os direitos mais básicos das mulheres: o direito de existir no espaço público e o de ter uma existência e uma voz próprias, independente da dos homens.

Todas as lutas pelos direitos das mulheres chocaram com estes argumentos de haver coisas mais importantes para discutir.

A luta das sufragistas inglesas chocou com o argumento de serem muito poucas as que exigiam o voto e de haver assuntos mais importantes, pois a maioria nem se interessava por votar e foi preciso uma delas morrer para que hoje tivéssemos o direito de votar e de ser eleitas na res publica.

Até apanhei no FB uma 'opinião' de uma mulher dizendo que até estava de acordo com a proibição de burkas mas dado que a lei tinha sido proposta pelo Chega não se podia ser a favor. 

Portanto, para estas mulheres, é melhor e preferível não ter direitos e defender a misoginia como virtude do que concordar com uma acção de um partido de que não se gosta, mesmo que essa acção seja em favor dos direitos humanos das mulheres. 

Uma verdadeira lástima.


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