September 13, 2025

A Europa não definha

 

A Rússia lança um ataque aéreo contra a Ucrânia. As forças aéreas polacas e romenas anunciaram que mobilizaram aeronaves e colocaram os sistemas de defesa aliados em alerta máximo.
- Intermarium 24


Há pouco  tempo li por aí um artigo que defendia que a Europa está a definhar e que já não tem importância no mundo porque na China ninguém quer saber da Europa e porque está velha e porque ninguém se entende. Não podia estar mais em desacordo com tudo.

A Europa é o único continente no mundo que quis, experimentou e conseguiu construir um projecto de paz de democracias, em democracia, durante muitas dezenas de anos seguidos. Estamos tão habituados a viver nele que nem nos damos conta de como essa experiência é excepcional na história do mundo.

Tivemos um primeiro ensaio de democracia na Grécia Antiga, que durou pouco tempo mas cuja marca perdurou no pensamento dos filósofos e na imaginação dos homens. Depois um interregno de milénios de teocracias e despotismo, até um renascimento da ideia de autonomia e liberdade, com muitos solavancos e, momentos terríveis de ausência de humanidade, no século XX. 

Porém, como acontece tantas vezes na natureza, onde da putrefacção brota vida, do pior momento da nossa história renasceu mais uma vez a ideia de paz em democracia.

Em pouco mais de trinta anos, desde o 'Tratado de Maastricht', a Europa construiu uma sociedade de nações democráticas com uma moeda única, uma política externa comum e um espaço comum de convivência com troca de ideias, comércio, trabalho, cultura, educação. São quase 30 países.

O facto da UE ter uma máquina pesada, ser lenta nas decisões e ter muita cautela não é um demérito nem um sinal de definhamento. É um sinal de prudência. Os 27 países da União têm uma história de guerras entre si, de competição feroz, de invasões e roubos, que não estão assim tão distantes no tempo, de maneira que há sempre cuidado em não dar passos em falso que ponham em causa a União.

É perfeitamente natural haver divisões, competição interna, oposições... não somos um país com um governo, mas quase três dezenas de países, cada um com seu governo, os seus problemas e interesses próprios. Olhamos os EUA, que são um único país há 200 anos e estão à beira de uma guerra civil, os Estados não se entendem entre si, fazem guerra entre si, assassinam os líderes políticos uns dos outros, ameaçam-se, uns mandam prender outros...

Olhamos o horror dos sistemas de governo do Médio Oriente, o sofrimento imposto às mulheres; a pobreza da Índia, a ditadura implacável da China, as guerras dilacerantes na África, um continente riquíssimo que está cheio de países com infra-estruturas de 1º mundo. O desperdício que é o Brasil nas mãos de rapaces, também à beira da guerra civil. E a Rússia, um país que nasceu torto e nunca se há-de endireitar.

Neste contexto, o projecto de paz da Europa é extraordinário e não surpreende que os seus líderes dêem pequenos passos para não o perigar.

Nas ditaduras é que as decisões, sendo tomadas por um ditador, sem ter que respeitar pessoas, leis ou instituições, são muito rápidas. É a vontade de um homem só. Mas nas democracias é preciso conjugar a vontade de muitos. E numa União de dezenas de democracias é um equilíbrio sempre instável.

A Europa está numa encruzilhada e o que é diferente é a urgência que a guerra da Rússia impôs e por isso é que tudo parece ainda mais lento.

Havia passos a dar na União que esta guerra veio apressar como o da cooperação na defesa. A notícia de que os polacos e os romenos têm os sistemas de defesa em alerta para ajuda à Ucrânia devido a mais um ataque é uma boa notícia. Estamos a caminhar, não para a divisão, mas para a cooperação.

Agora o que é preciso é perceber que situações de urgência requerem medidas de urgência. Estamos numa altura em que a maioria dos líderes da UE percebe a gravidade da situação, do perigo da Rússia, da necessidade de a anular e sabe que tem de agir agora, enquanto há tempo.

Se passarmos esse rubicão que é a derrota da Rússia, para o qual precisamos de autonomia de defesa e de coragem para dar aos ucranianos o que é necessário, depois podemos reconstruir o projecto de paz, com a Ucrânia, em outros parâmetros de ainda maior união. 

É preciso mudar regras para países que resvalam para autocracias como a Hungria, porque a Europa é um projecto de paz em democracia e não um projecto de paz podre. Se os líderes actuais estiverem à altura da situação, a Europa sai disto mais forte, mais unida e mais democrática.

Há muitos problemas para resolver? Pois há, mas temos muita gente com talento e vontade de fazer.

Não temos ambição de ser os maiores como Trump quer para os EUA. Não somos narcisistas e já não somos colonialistas. Queremos um projecto de paz, num planeta onde a convivência pacífica dentro de leis comuns e a prosperidade sejam mais importantes que a invasão, a morte, a conquista e a destruição.

Agora sabemos que isso não é possível sem uma defesa forte e sem instituições fortes, viradas para as pessoas e não para o mero poder.

A Europa não está a definhar, está a evoluir, numa metamorfose.


4 comments:

  1. España...¿Al borde de una guerra civil? España....¿Al borde de una guerra con la Republica Levantina de Israel?

    ReplyDelete
    Replies
    1. A Espanha não está à beira de uma guerra civil... ou está? Estão com problemas grandes de corrupção. Também já tivémos isso aqui, há muito pouco tempo.

      Delete
  2. ¿Has visto cómo ha acabado la Vuelta Ciclista a España de 2025? ¿Verguenza Mundial?

    ReplyDelete
    Replies
    1. Sim. Estou farta de ver alauakebars aos gritos todos os dias, a pedir a morte de toda a gente.

      Delete